Uma visita à infância japonesa

O ultra macio sashimi de vieira. Tão gostoso que nem precisava dessa louça linda

Ok, prometo que esse é o último post sobre culinária japonesa até… a semana que vem! Mas entendam: quando um restaurante como o Kinoshita renova 80% de seu menu, não se pode ignorar o movimento. E lá fui e Marcelo Katsuki (que fez todas essas fotos, no primeiro post conjunto com o Comes e Bebes) ver o que é que o seu Mura tem…

Murakami (à esq. com os pratos na mão), comanda a equipe no balcão do Kinoshita. Pra mim, o melhor lugar pra comer no restaurante

Brincadeiras à parte, o “seu Mura” é Tsuyoshi Murakami, sócio do restaurante e exímio chef da culinária nipônica. Murakami nasceu no Japão, em Hokkaido, e foi criado no Rio. O chef nos disse que para pensar em muitos dos pratos novos ele voltou seus olhos para a própria infância, usando ingredientes e receitas típicas das famílias nipônicas. Seria a comfort food japa?

Tamago dôfu, um tofu à base de ovo orgânico, muito saboroso, com camarão e edamame no dashi

Bom, como fui criado com polenta e lasanha, abri a mente para conhecer (ou reconhecer, em alguns casos) os sabores e texturas que chegavam ao balcão. De cara, já digo que me surpreendi (pro bem, e muito) com duas entradas. A primeira é o tamago dôfu, um tofu à base de ovo orgânico, muito saboroso, servido com camarão e edamame no dashi (caldo de peixe e algas). Adorei também a pupunha com umeboshi (uma espécie de ameixa) e katsuobushi (peixe bonito defumado em flocos) no limão.

Surpresa da boa: pupunha com umeboshi

A degustação foi longa, quase dez pratos, mas não estou reclamando! Entre os sashimis, fiquei muito impressionado com o sashimi de vieiras com brotinhos de nabo e shoyu preparado na casa, que veio numa cerâmica linda, além de tudo. Também gostei do kurô nin niku no yataki, sashimi ao molho à base de shoyu , alho negro e gengibre. Entre os quentes, salivo só de lembrar do buta no lemon yaki, barriga  de porco cozida no vapor e grelhada, servida com molho cremoso de shoyu. Outro sucesso é o kappo suzuki kinoko, um papilote de robalo com cogumelos.

O papilote de robalo, quentinho e gostoso como um abraço

Um dos preferidos da noite: barriga de porco cozida no vapor e grelhada com molho cremoso de shoyu

Os momentos mais estranhos pra mim, como já disse um descendente de italianos criado na pasta e nas carnes gordurosas, eram pratos bem roots. Como o zaru soba, macarrão de trigo sarraceno servido gelado com molho dashi e ovo. E o supra-sumo da infância nipo, o maguro tororo: arroz Koshihikari servido com atum e tororo, uma espécie de mandioca japonesa, que misturada ao arroz solta uma goma. Tacacá japa? Nem tanto, mas algo estranho. Gostei, mas não é de paladar fácil.

Maguro tororo: ok, lembra a infância japonesa, mas a textura meio goma é tensa!

Zaru soba:o macarrão de trigo sarraceno vem gelado com molho dashi e ovo

Pra finalizar, Murakami serviu o azuki moti, um bolinho de massa de arroz com a textura mais incrível do mundo (parece um veludo), recheado com azuki (o doce de feijão) em farinha kinako. Acompanhando, o sorbet de azuki.

Pense numa textura ultra aveludada... é esse azuki moti!

Claro que o cardápio da casa ainda tem muito sushi, sashimi, temaki, tempurá e misoshiru. Mas esses novos pratos, mais do que um jantar (ou almoço), traduzem uma visita a uma família japonesa, bem na hora em que eles estão prontos para comer. E nem precisa de passaporte.

Kinoshita –  R. Jacques Félix, 405, Vila Nova Conceição, tel. (11) 3849-6940

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