Hambúrguer com sotaque amazônico

Screen Shot 2015-08-20 at 4.55.53 PMFoi só eu postar essa foto ontem no meu Instagram que uma penca de gente veio me perguntar “Onde? Como? Quando?”. Pois é, amigos, a coisa é boa, mas vai durar pouco. Começou hoje a ser servido no P.J. Clarke’s de São Paulo um menu especial com ingredientes paraeneses – e vai só até sábado, dia 22. Ou seja, corra (na semana que vem terá também, mas nos P.J. do Rio, de 27 a 29). O destaque do cardápio especial é esse incrível Jambúrguer (R$ 45), hambúrguer de carne, jambu refogado, castanhas do Pará caramelizadas (que dão um adocicado e um crocância incríveis ao sanduíche) e queijo do Marajó. E ainda vem com maionese de chicória, pra quem quiser dar mais uma lambuzadinha.

 

Screen Shot 2015-08-20 at 4.56.43 PMO Jambúrguer na verdade existe há mais de 10 anos, criação do chef Artur Bestene, da Circus Hamburgueria, de Bélem, casa premiada na capital paraense. Artuzão, como é conhecido o simpaticíssimo chef, veio para São Paulo trazer seu famoso sandube e criar o menu com o chef Vinicius Rollo, do P.J. Como essa entrada deliciosa, nuggets de pato com barbecue de tucupi preto (R$ 35). Comi uns 3 ou 4, podem me julgar.

 

Screen Shot 2015-08-20 at 4.57.05 PMTem outras duas opções de sanduíche: o patoburguer (R$ 55), hambúrguer de pato com pesto da Amazônia ( azeite, castanha, jambu, chicória e queijo parmesão); e o Madame Sataan (R$ 45), rosbife de filé, pão de açaí e chutney de cupuaçu. Arturzão e Vinícius criaram até um milk shake (R$ 25) pra ocasião, que leva sorvete de creme com cachaça de jambu e cerveja stout de açaí, da Amazon Beer. Os ingredientes típicos da Amazônia (jambu, cupuaçu, tucupi, açaí e castanha do Pará) são fornecidos pela Combu, distribuidora de iguarias amazônicas aqui em São Paulo (aliás, dá pra comprar todas essas coisa diretamente com a Marina Cabral, proprietária da Combu e uma paranaense muito da fofa – veja o endereço abaixo).

 

Screen Shot 2015-08-20 at 4.57.18 PMFechando o menu, tem sobremesa, claro: brownie de açaí com sorvete de tapioca e calda de açaí (R$ 23). Uma explosão de doçura na boca, claro, mas nessas horas quem há de pensar em calorias?

IMG_9410P.J. Clarke’s SP – Rua Dr. Mário Ferraz, 568, Itaim Bibi, tel. (11) 3078-2965, e Rua Oscar Freire, 497, Jardins, tel. (11) 2579-2765
P.J. Clarke’s Rio – Av. General San Martin, 1227, tel. (21) 3547-4704 e Av. das Américas, 4666, Loja 246 AB (Expansão) – Barra da Tijuca, tel. (21) 3325-7889.
Combu – Rua Gama Lobo, 2319, Alto do Ipiranga, tel. (11) 2307 6100 / 7100, www.combu.com.br

Hambúrguer sem frescura, com afeto

Stencil (R$ 18): carne suculenta, queijo bem derretidinho, cebola roxa, alface e tomate. Simples e perfeito.

Stencil (R$ 18): carne suculenta, queijo derretido, cebola roxa, alface e tomate. Simples e perfeito

Será o hambúrguer a nova pizza do paulistano? Somente esse mês, visitei três novas hamburguerias, cada uma com uma “proposta gastronômica” diferente. (Não, ainda nem passei perto daquela que faz “homenagem” a um filme de ficção científica). Haja academia pra dar conta disso tudo. Um dos locais que visitei, porém, vale cada caloria ingerida. Trata-se do Bullger, nova hamburgueria comandada pelo chef Thiago Koch (ex-Beato).

Uovo (R$ 18): hambúguer com queijo derretido, ovo e maionese, no pão "carimbado"

Uovo (R$ 18): hambúguer com queijo, ovo e maionese, no pão “carimbado”

O golaço do chef foi justamente não cair na tentação do famigerado raio goumetizador: são apenas seis opções de hambúrgueres, todos muito bem executados, sem firulas gourmetizadas (nada de redução de jambu com tomilho em pó), carne suculenta no ponto exato e com preços razoáveis – de R$ 16 a R$ 18. Sem frescura, com afeto.

O chef Thiago Koch:  sandubas sem frescura, mas com técnica apurada

O chef Thiago Koch: sandubas sem frescura, mas com técnica apurada e execução perfeita

Os pedidos chegam rapidamente à mesa, graças a uma operação bem azeitada. E a montagem também é outro ponto positivo: a carne se agrega perfeitamente aos ingredientes, bem encaixados em um pão macio e quentinho, que leva o “carimbo” da casa, e não desaba enquanto você come. Meu preferido foi o Stencil (R$ 18), com queijo, cebola roxa, tomate e alface. Simples e delicioso.

Bulldog, o dogão da casa.

Bulldog (R$ 16), o dogão da casa

Ah, sim, os hambúrgueres do Bullger são um pouco menores do que a média. Dependendo da fome, é bom se garantir com as gostosas batatas fritas com páprica (R$ 9) ou matar um Bulldog (R$ 16), cachorro-quente com salsicha Frankfurter enrolada em bacon, com coleslaw (dica: peça este acompanhamento à parte, pois ele pode vir em exagero e “matar” a salsicha).

Fritas com páprica, maionese especial e a refrescante berry lemonade

Fritas com páprica (R$ 9), maionese especial e a refrescante berry lemonade (R$ 9)

Sobremesa? Só tem uma: sorvete de creme (R$ 9). Dependendo do dia vem com cookies, ou brownie despedaçado, como o que eu provei e me lambuzei. Para beber, vale provar a refrescante berrie lemonade (R$ 9), feita com limões taiti e siciliano, e amoras maceradas.

No dia em que comi lá, tinha sorvete de creme com brownie despedaçado (R$ 9).

No dia em que comi lá, tinha sorvete de creme com brownie despedaçado (R$ 9)

Bullger – Rua Diogo Jácome, 606, Vila Nova Conceição, tel. (11) 3044-2757, www.bullger.com

Um grego sem crise

Souvlak (R$ 22): espeto com nacos parrudos de frango, com tomate, cebola roxa, creme azedo e pão pita com azeite.

Souvlaki (R$ 22): espeto com nacos parrudos de frango, tomate, cebola roxa, creme azedo e pão pita com azeite. Uma das especialidades da casa, também nas versões com carne, porco e cordeiro.

Aproveitei o domingo do feriadão para conhecer a mais recente “sensação” da cidade, o grego Kouzina. A casa branca com uma enorme bandeira da Grécia na fachada, numa esquina dos Jardins, ficou um bom tempo em reforma, porém mal abriu há três semanas e vive lotado – não é nada difícil ter fila de espera às 15h, por exemplo. Mesmo chegando cedo (antes das 13h) no domingo, tive de aguardar meia hora por uma mesa pra dois. Mas valeu a pena.

 

Lulas empanadas (R$ 21): crocantes e sequinhas, porém um pouco monótonas.

Lulas empanadas (R$ 21): crocantes e sequinhas, mas um tanto monótonas. Talvez um molhinho?

O Kouzina é do mesmo grupo que tem o Myk, outro grego a poucos quarteirões da casa. O cardápio do novo ponto, aliás, foi elaborado pela mesma chef do Myk, Mariana Fonseca. Como a proposta do Kouzina é mais informal (o restaurante fica aberto direto das 12h até a madrugada), a chef optou por um menu com a mesma pegada: um cardápio despretensioso, com pratos típicos da Grécia, receitas mais leves e petiscos para beliscar. Nada, portanto, de itens mais sofisticados como no Myk.

 

moussakaAinda bem: pra mim a comida do Kouzina é mais acertada que da casa-mãe, e com preços bem mais camaradas. Como a gostosa moussaka (R$ 34), uma das mais clássicas receitas da culinária daquele país. Também chamada de “lasanha grega”, alterna camadas de berinjela com molho de tomate e carne moída bem temperada. No Kouzina, aliás, a chef não economiza na proteína e a moussaka vem com uma dose bem generosa de carne. Falando em berinjela, o menu também tem paputsakai (R$ 38), ou “sapatinho”, com o legume recheado com ragu de carne e purê de batata.

 

saladaUma dica: antes do principal, peça uma das cinco saladas do menu. Eu dividi a Myk (R$ 30) com meu amigo e foi perfeito como entrada: um espesso disco de queijo de cabra, sobre muitas folhas, várias fatias de presunto cru, figos verdes, pinolis e mel orgânico. Na próxima pedirei a que leva o nome da casa, que tem maçã, pistache, damasco e queijo manouri. Só de pensar sinto a brisa mediterrânea.

 

drinqueO menu também contempla cozidos, como cordeiro cozido no limão com batatas (R$ 46), e grelhados, como bife angus (R$ 45), prime rib e porco (R$ 29) e um pescado (R$ 39) com ótima aparência (pele crocante, jeitão de peixe servido à beira-mar). Sim, terei de enfrentar filas pra comer isso – e olha que às 15h horas havia espera de mais de uma hora. O jeito será aguardar no despojado bar do restaurante. Eu queria experimentar uma cerveja grega, Fix (R$ 10), mas havia acabado. Acabei tomando um drinque, o Kouzina (R$ 27), uma super refrescante combinação de ouzo, vodca, melancia e limão siciliano. Na verdade, achei até gostoso ficar ali, naquele canto com forte sotaque grego, sem olhar pro relógio, comendo lulinhas e planejando as próximas férias. Realmente, não é difícil entender o sucesso a casa.

Kouzina – R. Peixoto Gomide, 1.710, Jardins, t
el. (11) 2935-0888

 

 

Um aniversário à beira da Marginal

stinco

Stinco suíno com purê de castanha: novidade no menu que provei em primeira mão. #sorry

Dia 1º resolvi comemorar meu aniversário jantando com três dos meus melhores amigos. E ao contrário do que se poderia pensar, eu, que conheço tanto restaurante na cidade, acabei escolhendo pra essa ocasião importante (pô, era meu aniversário!) uma casa que eu nunca havia ido. Sei lá, achei que ares de novidade combinariam com a data. Acabamos indo ao Sottovento, restaurante localizado na cobertura aberta do Shopping Cidade Jardim, de onde se tem uma bonita vista noturna da Marginal do Pinheiros, com o skyline paulistano ao fundo. Escolhi bem? Vejamos.

 

Amuse bouche: fettuccine de espinafre à cacio e pepe com um toque de carbonara

Amuse bouche: fettuccine de espinafre à cacio e pepe com um toque de carbonara

O restaurante italiano, aberto em 2013, passou por uma importante mudança no começo deste ano: com a saída do chef Marcelo Laskani (que acaba de inaugurar sua nova casa, Più), a cozinha ficou a cargo do chef Felipe Viana (ex-Picchi e Kaá). Desde então, o chef tem introduzido novos pratos no cardápio, como filé de fraldinha grelhado com queijo coalho e legume (R$  72) e risotto com lula, polvo, marisco e camarões (R$ 76), além de um menu executivo nos almoços de dia de semana (entrada, prato e sobremesa por R$ 55).

 

Tagliata de filé mignon, com tagliorini na manteiga

Tagliata de filé mignon, com tagliorini na manteiga

Nessa noite, ainda tive a oportunidade de provar uma nova receita, que o chef acabara de testar e acabou sugerindo como meu prato principal. Me dei bem: tratava-se de um stinco suíno (R$ 82), preparado com cozimento lento preciso. Assim que passei o garfo pela carne, ela se soltou instantaneamente do grande osso, para revelar-se suculenta e macia na minha boca. E bem acompanhada, por um surpreendente purê de castanha e o grosso molho do cozido da carne. Sim, o chef acertou muito no novo prato e fui feliz na escolha.

 

Nhoque de alcachofra com camarões, cogumelos e shitake

Nhoque de alcachofra com camarões, cogumelos e shitake

As massas, porém, são as grandes vedetes da casa, notadamente o plin de linguiça com manteiga trufada, favas e hortelã (R$ 63), que terei de voltar para provar. Naquela noite, experimentamos o nhoque de alcachofra com camarões, cogumelos e shitake (R$ 75) e a tagliata de filé mignon com tagliorini na manteiga e sálvia ao roti de limão (R$ 75).

 

tartareAtenção também a essa entrada: tartare crocante de salmão e sour cream (R$ 34,50, na foto acima), na verdade canudinhos receados com o peixe cru picado e temperado, uma combinação quase inusitada, porém feliz. A outra entrada que provei também intriga: bolinhos de bacalhau envoltos em tempurá negro e aioli (R$ 44). O que parecem pequenas bolas de carvão revelam o interior cremoso na primeira mordida, mas o sabor do bacalhau é pouco marcante e o resultado é levemente monótono.

 

tiramisuAniversário que é aniversário tem bolo e parabéns. No meu, a simpática velinha veio espetada na sobremesa mais famosa do chef Viana: uma deliciosa versão de tiramisù com Nutella e banana (R$ 19), com sorvete de chocolate. Até eu que não sou muito fã da pasta de avelã fui totalmente conquistado pelo combinação equilibrado dos ingredientes e pela ousadia de colocar banana num clássico italiano. Quase comi a vela junto.

 

Mil-folhas com toques de geleia de frutas vermelhas (ei, não me julguem, era meu aniversário, poxa!)

Mil-folhas com toques de geleia de frutas vermelhas (ei, não me julguem por ter comido outra sobremesa, era meu aniversário, poxa!)

Sim, escolhi bem o lugar para comemorar meu aniversário. Comida bem feita e farta (as porções dos pratos são beeem generosas), serviço atencioso, ótimas opções de vinho (como o francês Flying Solo Grenach Syrah, fresco, frutado e divertido), projeto bonito e uma cozinha que demonstra identidade, mas não se esquece do principal: a expectativa do cliente. Ah, sem contar a vista: sim, de noite e de longe a Marginal é uma coisa linda de se ver.

Sottovento – Shopping Cidade Jardim, 3º andar, Av. Magalhães de Castro, 12.000, Morumbi, tel. (11) 3552-2811, www.sottovento.com.br

 

Éramos seis

Melhor prato do Ici no Balcão: codorna recheada com ameixa e foie gras (RÁ!), coberta com um demi-glace robusto. Perfeição.

Melhor prato do Ici no Balcão: codorna recheada com ameixa e foie gras (RÁ!), coberta com um demi-glace robusto. Perfeição.

Ontem participei de uma das degustações mais legais desse ano. Trata-se do Ici no Balcão, um jantar de 6 etapas realizado no balcão que se debruça sobre a cozinha do Ici Brasserie Jardins, em que o chef executivo do grupo, Marcelo Tanus, serve e apresenta os pratos. O mais bacana: você pode interagir com o chef, tirar dúvidas ali na hora e conhecer mais das receitas e da culinária francesa.

Um boa surpresa com essa entrada fria: salmão curado com vodca e beterraba, acompanhado de laminas de rabanete e molho gribiche (gema de ovos com alcaparra).

Um boa surpresa com essa entrada fria: salmão curado com vodca e beterraba, acompanhado de laminas de rabanete e molho gribiche (gema de ovos com alcaparra).

Pra ficar ainda mais legal, ontem o próprio chef Benny Novak, um dos sócios da casa, comandou a degustação, enquanto a somelière da casa, Caroline Oda, harmonizava cada etapa com cervejas. Luxo puro, que irá se repetir no dia 14 de julho (com Benny e Marcelo servindo esses pratos), às 20h. Depois, acontecerá a cada 15 dias, com menus diferentes em cada edição.

Primeira entrada quente: pissaladière: massa folhada com alcaparra, azeitona preta, anchova e cebola caramelizada.

Primeira entrada quente: pissaladière: massa folhada com alcaparra, azeitona preta, anchova e cebola caramelizada.

O jantar fechado custa R$ 187, incluindo a bebida. Um porém: são apenas seis lugares, então o Ici no Balcão se esgota em menos de duas horas. Você tem de ficar de olho no Foodpass.com.br pra garantir sua vaga.

Clássico da casa e da culinária francesa: rã à provençal, harmonizada com cerveja Ici 00.

Clássico da casa e da culinária francesa: rã à provençal, harmonizada com cerveja Ici 00.

Acelga recheada com pescoço de cordeiro, desmanchando, purê de batata e mini-cenoura.

Acelga recheada com pescoço de cordeiro, desmanchando, purê de batata e mini-cenoura.

Vieira salteada com bacon e molho de cogumelos.

Vieira salteada com bacon e molho de cogumelos.

Clafoutis de cereja e pistache fechando o Ici no Balcão

Clafoutis de cereja e pistache fechando o Ici no Balcão

Os chefs atrás do balcão: Marcelo Tanus (à esq.) e Benny Novak.

Os chefs atrás do balcão: Marcelo Tanus (à esq.) e Benny Novak.

Ici Brasserie Jardins – Rua Bela Cintra, 2203, Jardins, tel. (11) 2883-5063 / 2883-5064, www.icibrasserie.com.br

Guia (bem-humorado) de como escolher o saquê ideal

Adega de Sake: mais de 90 rótulos de saque, sochu e uísque, tudo do Japão

Adega de Sake: mais de 90 rótulos de saque, sochu e uísque, tudo do Japão. Sabe escolher?

Você sabe escolher um saquê? Ou acha que qualquer coisa que venha naquele recipiente quadrado, com sal na borda, já está de bom tamanho? Hmm, erro! Você não precisa ser um especialista nesse fermentado para tomar um saquê gostoso e que combine com sua comida. Mas seria legal conhecer alguns pontos básicos e estar atendo a certos detalhes pra não gastar dinheiro à toa ou estragar um jantar com a opção errada – como na hora de escolher um vinho. Quer minhas dicas? Outro erro: o moço aqui conhece o mínimo do assunto. Por isso, convidei o Alexande Tatsuya Iida, um dos maiores experts em saquês do país, pra ensinar um pouco pra gente. O Alexandre é dono de uma das melhores lojas de bebida japonesa de SP, a Adega de Sakê, em São Paulo (onde vende mais de 90 rótulos de saque, sochu e uísque japoneses), e também promove degustações e workshops. Vamos às dicas super bem-humoradas do meu amigo Adegão (sim, esse é seu apelido!) pra nunca mais escolher o saquê errado nem cometer um gafe no seu japa preferido.

Dicas do Adegão

Antes de ir ao restaurante
– É sempre bom dar aquela pesquisada na carta de sake da casa antes de sair de casa (claro, se existir). Consulte amigos e quem curte a bebida para pegar algumas sugestões.
– Não, nem tudo que tem nos EUA tem no Brasil. Então se tomou em Nova York, Las Vegas ou em San Francisco, nem sempre temos aqui no país.
– Tente conseguir uma foto do saquê se possível para não ter que chegar ao garçom e: “Olha é um sake da garrafa marrom e rótulo escrito em japonês.”
– Ou baixe aplicativo da Adega de Sake pelo navegador do seu celular. Lá tem o catálogo da maioria dos rótulos vendidos no Brasil: http://app.vc/adegadesake

No restaurante
– Veja a carta ou a página onde estão listados os saquês. Se só dispõem “Saquês Nacionais e Importados”, não espere muita coisa. Lembrando que saquê californiano é um rótulo importado.
– Nem tudo que está escrito em japonês, é japonês. No contra-rótulo está escrito de onde vem.
– Como escolher um saquê? Siga os mesmos padrões do vinho. Peça uma garrafa ou dose, de acordo com o seu paladar: “Quero um mais frutado, encorpado, seco e curto” por exemplo. Não há paladares diferentes para cada bebida. É uma coisa só.
– Ok, pediu o saquê e o garçom traz o Masu (caixa quadrada-porta-treco de madeira ou plástico) com saleiro. Mais apetrechos que livros de adulto para colorir.
– O Masu é uma unidade de medida que calculava o arroz. Um Masu cabe 150g de arroz ou 180 ml de saquê. Usada ESPECIFICAMENTE para o ritual “Kagami Hiraki”, quando se quebra a tampa dum barril de 72 litros, com uma marreta. Com uma concha feita de cedro, serve aos convidados em um caixa da mesma madeira. E SÓ!! Não é item para ter em casa ou no restaurante. Reparem que Tony Stark bebe o seu saquê em jarra e copo de cerâmica.
– Aliás a cerâmica é para o serviço de saquê quente. Por isso é bem pequeno, normalmente para acomodar 50ml da bebida quente, para não resfriar. Na jarra cabe 180 ml do saquê.
– Bom, se der tempo peça ao garçom trocar o Masu por uma taça de vinho branco, taça de água, taça de licor, shot, copo de cachaça ou até mesmo um copo de requeijão. Por via de regra, toda a bebida, você gira ele para checar ou soltar mais o aroma, verificar o corpo da bebida e todo o ritual para apreciar uma boa bebida.
– Sal? No período Edo, o saquê era destinado aos deuses, nobreza e a família imperial. O povo? Fazia o seu em casa, sem coar e sem filtrar. Todo branco, leitoso com sedimentos e casca de arroz. A textura lembra, quando você pega a canjica, tira o milho e mistura álcool Zulu. Além de denso e extremamente doce, precisava de uma pitada de sal ou missô na mão, lambia e botava o saquê goela abaixo  em um único gole. Se parasse no meio do caminho, é a sensação do nervo do contra-filé preso na garganta.
– E se você estiver em um restaurante no Japão, NUNCA peça o sal. Tomava se o saquê com sal, em época que a bebida era muito ruim.  A não ser que você queira brigar com o dono.
– Ué, não é para transbordar o saquê? Claro que não. Pense que aquilo você irá beber, está encostando justamente onde você vai botar a mão. O transbordo do saquê é sinal de prosperidade e fartura? Isso se chama desperdício.
– Servir o saquê até a borda. Não. Sabe quando até forma uma camada acima do limite da taça? Agora pense como você vai chegar até ele? Ou tenha cuidado como se fosse segurar nitroglicerina ou aproxime o seu rosto até o copo. Ah, para as moças, segurem o cabelo. Evite isso pedindo ao garçom gentilmente: “PÁRA!!!”
– Uma boa parte dos saquês, não combina com o arroz, principalmente os do sushi. Vamos por partes. Arroz do sushi é doce, ácido e empapado. Amido gritando dizendo que está lá. Se você tomar um saquê suave por exemplo, sua boca ficará tão doce, que desejará um mergulho na piscina de shoyu, rico em sódio. Prefira saquês mais secos e ácidos ou vinho branco igualmente neste perfil.
– Estão em 4 pessoas na mesa? Compre logo uma garrafa. Se pedir 4 doses, garanto que sairá bem caro. Uma dose de saquê tem 180 ml, logo 4 doses, dão 720 ml que é o tamanho da garrafa. A garrafa de 1800 ml, a maior, tem 10 doses.
– Gostou de um saquê? Peça ao garçom que mostre a garrafa e tire uma foto. Melhor não anotar, pois poderá faltar algumas partes do nome. Uma vez, veio o cliente e me perguntou se eu tinha um saquê chamado: “Karakuchi”. Karakuchi significa “Seco”. É o mesmo que sair para comprar um vinho e perguntar ao moço: “Você tem um vinho chamado Cabernet Sauvignon?”

Adega de Sake – Al. dos Nhambiquaras, 1089, Moema, tel. (11) 4304-0025, www.adegadesake.com.br

Coxinha aparece em nove versões no bar Original

Coxinha de moqueca de abadejo, empanada no coco: um dos 9 sabores pro cliente votar

Coxinha de moqueca de abadejo empanada no coco: um dos 9 sabores para o cliente votar

Coxinha é o novo preto. Todo mundo ama coxinha – até a super culinarista inglesa Nigella Lawson apaixonou-se pela iguaria quando visitou o Brasil no ano passado (e chegou a postar a receita em seu site). Você também é um coxinhólatra? Então se liga nessa: o bar Original está oferecendo, até dia 7 de junho, nove sabores de coxinha para os clientes provarem e votarem nas suas preferidas. As cinco versões mais votadas farão parte do novo cardápio do bar. Você pode pedir um par de coxinhas (R$ 10) ou a porção com cinco unidades (R$ 22). Achei sabores alguns meio estranhos (coxinha de feijoada? Really?!), mas confesso que salivei com a versão de costelinha de porco e a de bobó de camarão. Vejam a lista:

Tradicional de frango – massa de mandioquinha recheada com tradicional frango moído;
Galinha caipira – massa de catupiry com recheio de galinha caipira, empanada no cabelo de anjo;
Galinha D’Angola – massa de mandioquinha recheada com galinha d’angola e couve;
Moqueca de Abadejo – massa de mandioquinha recheada com moqueca de abadejo e empanada no coco;
Buraco quente – carne moída, molho segredo e queijo;
Feijoada – massa de mandioquinha recheada com feijoada;
Costelinha de porco – massa de batata com creme de cebola recheada com costelinha, couve e feijão carioca;
Blumenau com maxixe – massa de mandioca recheada com linguiça Blumenau e maxixe;
Bobó de camarão – clássico prato baiano em versão coxinha.

Original -
Rua Graúna, 137, Moema, tel. (11) 5093-9486, www.baroriginal.com.br

 

Festival de mexilhões da Patagônia vai até sábado no Deck484

Brochette de mexilhão a mexicana

Brochette de mexilhão a mexicana

Atenção, fãs de mexilhão! Vai até sábado, dia 30, o Festival de Mexilhões da Patagônia Mussel no Deck484. Para o evento, o chef Eraldo Machado preparou sete de tapas frias e quentes com os moluscos importados do Chile. Entre as frias, estão o mexilhões ao vinagrete e torrada banette (R$ 36), gaspacho de mexilhão (R$ 32) e o mexilhão em geleia, rúcula e champignons (R$ 38). Já entre os itens quentes, tem folhado de mexilhão com aspargos a l’ancienne (R$ 32), mexilhão empanado “kilpatrik” ao molho de alho (R$ 36), brochette de mexilhão a mexicana (R$ 34) e escondidinho de mexilhão com musseline de mandioquinha (R$ 36). Mas eu já disse: aproveite que só tem mais cinco dias pra terminar o festival!

Deck 484 Alameda Santos, 484, Paraíso, tel. (11) 3253-3553.

Receita de Moçambique é uma das novidades da Tasca

Bacalhau empanado com molho de laranja e amêndoas.

Bacalhau empanado com molho de laranja e amêndoas, novo prato da casa de Vítor Sobral

Nem só de bacalhau vive um restaurante português – a variedade da culinária lusitana é rica e inclui muitas receitas à base de porco e aves (como o maravilhoso arroz de pato). Mas bastou eu dizer que ia provar novos pratos na Tasca da Esquina, quinta-feira passada, que quase todos meu colegas de agência já me viram enchendo a pança de bacalhau. Pois bem, em homenagem a eles, começo falando das novidades postando uma foto de… bacalhau! Brincadeiras à parte, eu amo pratos feitos com esse pescado, e essa novidade preparada pelo chef Vítor Sobral é tão bom que merece abrir o texto: bacalhau empanado com creme de laranja (R$ 89), acelga e lascas de amêndoa. As postas altas e suculentas contrastam com a crocância da fritura e a cremosidade do molho. Sim, o bacalhau superou expectativas.

Caril de camarão com especiarias, receite de Moçambique.

Caril de camarão com especiarias, receite de Moçambique.

Porém, a estrela da noite foi outro cidadão das águas, o camarão. O prato é o caril de camarão (R$ 84) , uma receita típica de Moçambique e uma das coisas mais saborosas que comi esse ano. Caril é o bom e velho curry, com um toque mais fresco, vários legumes e acompanhado de um inspirado arroz de castanha do pará e abobrinha. Comi, repeti e volto à Tasca só pra comer isso.

Joelho de porco com migas soltas e couve-manteiga

Joelho de porco com migas soltas e couve-manteiga

Vamos pra terra firme? A dica é o joelho de porco (R$ 70), com a pele pururucada, servido com migas soltas (espécie de farofinha de pão, alho, cebola e azeite) e couve manteiga bem tenra. Parece pesado, mas é um prato muito equilibrado e um primor de sabor. Aliás, são cinco pratos novos no menu, mas “só” comi esses três.

Pastelzinho de alheira e pastel de bacalhau.

Pastelzinho de alheira e pastel de bacalhau.

Ah, você pode começar o repasto (adoro essa palavra; sou um velho, eu sei) com uma porção de pastel do dia (R$ 21, quatro unidades). Na noite em que jantei lá, era pastel de alheira, olha só que amor. Os bolinhos de bacalhau pedi à parte por motivos de… eu amo (até que o povo da firma não estava tão errado assim, né?)

Uma parte da tábua de doces portugueses que veio de sobremesa.

Uma parte da tábua de doces portugueses que veio de sobremesa.

E jantar português pra mim tem de fechar com sobremesa bem doce. No caso, pedimos uma tábua de degustação (R$ 26), que vem com quatro itens, entre eles o imperdível pudim Abade de Priscos, que leva até toucinho na receita e é servido aqui com um creme de abacaxi, equilibrando a doçura. Na foto, está ao fundo – na frente está o toucinho do céu, doce à base de gemas, amêndoas e açúcar, servido com sorvete de caipirinha de maracujá. Quase um insulto de tão bom.

Porto Tônica de limão e de maracujá.

Porto Tônica de limão e de maracujá.

Ah, outra novidade na Tasca da Esquina: o Porto Tônica, drinque português com vinho do Porto branco, água tônica, gelo e limão siciliano. Aqui, além dessa receita tradicional, a refrescante bebida aparece em duas versões: com limão siciliano, suco de limão cravo, cravo-da-Índia e anis estrelado; e a que mistura maracujá, cardamomo e alecrim (todas, R$ 26)

Tasca da Esquina Alameda Itu, 225, Jardins, tel. (11) 3262-0033, www.tascadaesquina.com.br

 

Um dos melhores chefs de Recife fará cinco jantares em SP

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Baião Très Chic: um dos 5 pratos do menu especial do chef Joca Pontes pro Dalva e Dito

Recife é, pra mim, uma das melhores cidades brasileiras para comer fora. E não estou falando apenas de comida regional (que também é ótima). A capital pernambucana tem uma cena gastronômica vibrante, diversificada, com chefs talentosos e criativos. Um dos meus preferidos é Joca Pontes, que comanda o Ponte Nova, um dos melhores restaurantes de cozinha contemporânea do país (e não só de Recife), além de outras casas. A boa notícia é que Joca está em São Paulo para cozinhar. Entre os dias 25 e 29 de maio, o chef pernambucano vai preparar um menu especial no Restaurante Dalva e Dito, do chef Alex Atala ( jantar do dia 25 e almoços e jantares dos dias 26 a 29).

Ovo Imperfeito: ovo mollet sobre pirão de queijo, com bacon.

Ovo Imperfeito: ovo mollet sobre pirão de queijo, com bacon (fotos da Mariana Freitas)

O cardápio será feito a quatro mãos com Milton Schneider, chef da casa, e terá cinco fases. Ali estão pratos que marcaram a carreira de Joca, como o Ovo Imperfeito (ovo caipira mollet, sobre pirão de queijo ao açafrão da terra, bacon Yaguara e farofa panko) e o Baião Très Chic (arroz-da-terra puxado no creme de leite, com lascas de carne seca, uvas verdes, queijos minas padrão e coalho, com camarões grelhados e farofa de croutons por cima). Quem quiser se arriscar a fazer, a receita está aqui. E só a descrição de uma das sobremesas já me deixou salivando: Dadinhos de Chuva, ou seja, cubinhos crocantes de tapioca com coco e canela, caramelo salgado, goiaba passa e manjericão. O preço do menu fechado é de R$ 160 por pessoa, sem bebidas nem serviço, e é bom reservar antes, pois terá número limitado de lugares.

Dalva e Dito R. Padre João Manuel, 1.115, Jardins, tel. (11) 3068-4444, www.dalvaedito.com.br