Comendo bem em Paris sem destruir sua carteira (parte 2)

Já pensou num piquenique com essa vista?

Já pensou num piquenique com essa vista?

Continuando o post sobre minhas andanças gulosas por Paris, vai uma dica de economia: quando puder, guarde seus valiosos euros em algumas refeições, principalmente no almoço, para investir num jantar mais bacana (como os que falarei abaixo). Dá pra comer bem e com charme. Passe numa boulangerie ou num mercado e pegue um baguette com queijo e presunto (são grandes e custam cerca de 6 euros), uma garrafinha de vinho (nos supermercados há rótulos razoáveis por 3 euros a meia garrafa) e, se o tempo ajudar, almoce num dos bancos do Jardin des Tuileries (na foto) ou faça um mini piquenique no Jardin des Luxembourg. Só não caia na besteria de comprar os sanduíches feitos nos quiosques dentro do parque: são caros, enjoativos e preparados com muita má vontade. Fuja!

galeteCaso você puder elevar um pouco o orçamento, aposte numa gallete da Crêperie Paris Montorgueil (37 rue Mauconseil). Em tempo: galette é um crepe salgado feito de trigo sarraceno e servido como prato principal. Ali provei o La Parisienne, uma boa combinação de queijo emmental, presunto, cogumelos, ovo e tomates, por 9 euros. Pelo mesmo preço, havia o La Végétarienne, com cogumelos cremosos, batatas, tomates e salada verde. Atenção para o menu executivo: por 12,50 euros, você almoça a galette salgada, um crepe doce e uma bebida. Voilá!

 

Tartare de pato com maçã: uma das surpresas do Pirouette

Tartare de pato: uma das surpresas do Pirouette

Pirouette (5, rue Mondétour) – Dica certeira do chef Raphael Despirite (Marcel), esse restaurante foi uma das melhores surpresas de toda a viagem. Fica numa das ruazinhas de Les Halles e é comandado pelo chef Tommy Gousset, discípulo de Daniel Boulud e Yannick Alléno, que pratica uma cozinha inventiva, fresca, saborosa e, principalmente, acessível: o almoço sai por 18 euros (entrada + prato principal). As sobremesas giram em torno de 12 euros e a oferta de vinhos tem boas opções.

 

pirouette2Porém… sem reserva, nem pensar. Cheguei lá quase 14 horas achando que ia rolar e acabei reservando ao vivo mesmo, pro dia seguinte. Meu menu: tartare de pato, com vinagrete de framboesa, maçã verde e rabanete (adorei, mas me arrependi de não ter provado o ovo perfeito com champignons) e no principal suculentos cubos de alcatra com cuscuz de quinoa, passas brancas e pepino.

 

pirouette3A sobremesa-estrela do lugar é o Riz au lait, um tipo de arroz doce, com manteiga de caramelo e sal, amêndoas e avelãs confeitadas (10 euros). Adorei tudo: a comida, o serviço preciso, o ambiente arejado, a localização charmosa. Pena que almocei ali só no meu último dia em Paris, senão teria voltado ao Pirouette pelo menos para jantar.

 

Os maravilhosos macarons gordinhos da Pierre Hermé

Os maravilhosos macarons gordinhos da Pierre Hermé

Macaron – não dá pra ir a Paris e não provar essa guloseima típica da França. O doce beira a perfeição. A massa, uma espécie de merengue feita com claras, açúcar e amêndoas, é crocante, mas ao mesmo tempo macia e não esfarela na primeira mordida. O recheio, geralmente um ganache à base de chocolate e/ou frutas, confere untuosidade e sabor à combinação. A marca de macaron mais famoso é a Ladurée, que tem várias lojas espalhadas por Paris, inclusive um quiosque no aeroporto. Cada mini macaron custa 1,90 euros e tem muitos sabores (adorei o de flor de laranjeira). Mas o melhor macaron, pra mim, é o Pierre Hermé. São mais gordinhos, mais recheados, mais macios e mais gostosos. E mais caros: R$ 2,10 cada. Mas vale muito a pena. E os sabores são demais: rosas; tangerina e azeite, hocolate ao leite, gengibre confit, banana e maracujá; trufa branca com avelã…

 

robert carneRobert et Louise (64 Rue Vieille du Temple) – Dica quentíssima do chef Erick Jacquin (La Cocotte), esse restaurante de assados é uma pequena jóia no Marais. Pequena mesmo: estávamos em três e dividimos uma mesa grande com outros clientes, bem pertinho do fogo à lenha. Sem erro: o local tem um clima tão despojado e simpático que até inspira essa proximidade. A especialidade da casa são as carnes, que saem da grelha no ponto perfeito, mas também provei o confit de pato e estava uma delícia. A estrela da casa é a costela bovina para dois ou três (pedimos pra dois, 44 euros, e sobrou), acompanhada de batatas e salada.

robert campagneA costela vem perfeitamente selada, crocante ao redor, com aquele leve gosto de chamuscado. A carne é quase cremosa de tão macia, num inspirador degradé de rosa a vermelho vivo, suculenta e sem aquela piscina de sangue a cada corte. Não deixe de pedir o tremendo patê de campagne na entrada.

robet bruleecreme brûlée é uma das sobremesas que recomendo (a torta de limão também estava muito boa). A conta, com vinho e tudo, saiu 50 euros cada. Valeu cada centavo. Ah, nem pense em ir sem reserva.

 

mil folhasChamps Elysées – Visitou o Arco do Triunfo? Tirou bastante foto? Agora desça uma das avenida mais bonitas de Paris em direção à Place de la Concorde (onde está um obelisco egípcio). O caminho é lindo, todo arborizado. Ali também ficam lojas de grife como Lacoste e Louis Vuitton, além de galerias, cinemas etc. Vale uma parada para um almoço rápido na Maison Pradier (84 Avenue de Champs Elysées). Fica na galeria em que está a H&M, é um quisque com bancos ao redor, lotado de doces lindos. Tem também formule midi (menu de almoço) por menos de 15 euros, com prato ou sanduíche, bebida e doce. Fui de mil-folhas e adorei.

 

cafe campanaMuseus – Paris tem muitos (e ótimos) museus. Mas andar por todos eles cansa. Pra não ficar mal humorado nem fazer tudo correndo e deixar de ver obras legais, dê um tempo no meio do passeio pra sentar, tomar uma café, relaxar e comer alguma coisa. Todos museus tem cafés e até restaurantes. O melhor é o Café Campana, no museu d’Orsay (aliás, um dos museus mais legais de Paris). O espaço, localizado no último andar, junto ao terraço, foi projetado pelos designers brasileiros irmãos Campana, que se inspiraram em 20 Mil Léguas Submarinas pra criar o ambiente.

baba irmao campanaAlém de lindo e arrojado, o café tem um menu acessível (pratos ao redor de 15 euros) e um excelente baba ao rum (7,20 euros), servido em verrines (copos). Ah, e o café espresso é bom e custa 2,70 euros – quase metade do café do Centro Pompidou, onde fui esfolado em 5 euros por um cafezinho. O restaurante no topo deo prédio é lindo e tem uma vista privilegiada, mas é caro demais. No caso do Louvre, não se abale: vá de manhã, ande o máximo que puder, saia pra almoçar (ali mesmo tem uma praça de alimentação, se não quiser ir longe) e volte com o mesmo ingresso pra ver mais obras: acredite, passei quase 5 horas lá e ainda faltou muita coisa pra ver.

 

 

 

Menu de clássicos celebra os 60 anos do La Casserole

Screen Shot 2014-10-30 at 4.28.47 PME por falar em Paris, lembram quando confessei aqui que era apaixonado por um senhor francês de meia idade 56 anos? Pois esse madurão acaba de completar 60 anos e ontem fui participar de perto dessa comemoração. Sim, o La Casserole, o mais clássico dos restaurantes franceses de São Paulo, chegou a essa marca. Para celebrar a data, criou um menu de aniversário, disponível até 6 de novembro. O cardápio especial custa R$ 155 por pessoa e traz receitas que viraram tradição na casa. São sete etapas, como o excelente Sucré-sale, pato ao molho de laranja com batatinhas suflé (na foto). O menu harmonizado sai por R$ 235, e inclui cinco taças dos vinhos franceses Domaine de L’Hérre (branco) e Château Jamin (tinto). Vamos conferir quais são os outros clássicos do menu? Continuar lendo

Bolo de gengibre e especiarias: receita moleza

foto 2Nada como comprar algo pra cozinha e usar pra valer. É o que tenho feito com minha batedeira KitchenAid, que trouxe de Nova York (paguei R$ 960, com taxas e tudo; aqui custa R$ 2.200). Enfim, sábado investi numa nova receita: bolo de gengibre da Gramercy Tavern. Não tenho certeza se o restaurante nova-iorquino realmente servia esse bolo (no menu atual não consta), mas deveria: o doce tem massa macia, cheia de especiarias, bem aromática, e cor terrosa, caramelada, quebrada pelo açúcar polvilhado por cima. E é MUITO fácil de fazer. Só uma dica: prepare o bolo no dia anterior ao que for servi-lo. O açúcar se assenta com mais sutileza e as especiarias se destacam melhor. Acabou em menos de 24 horas lá em casa.

 

Bolo de gengibre e especiarias da Gramercy Tavern

gengibre1Ingredientes:
1 xícara de cerveja Guinness stout (ou outra marca de stout)
1 xícara de melaço de cana (quanto mais escuro melhor)
½ colher de chá de bicarbonato
2 xícaras de farinha peneirada
1 ½ colheres de chá de fermento em pó
2 ½ colheres de sopa de gengibre fresco moído
1 colher de chá de canela em pó
1/3 colher de chá de cravo em pó (se não tiver, moa no processador)
1/3 colher de chá de noz-moscada em pó
1 semente de cardamomo (opcional)
3 ovos grandes
1 xícara de açúcar mascavo
1 xícara de açúcar refinado
¾ xícara de óleo vegetal
Açúcar de confeiteiro para finalizar

Screen Shot 2014-10-29 at 2.39.40 PMModo de fazer:
Pré-aqueça o forno a 200ªC. Unte uma forma de bolo com furo no meio e espalhe farinha de trigo, tirando o excesso. Usei uma forma de silicone (fotos acima) e mesmo assim untei. Alias, prefira uma forma que permita deixar a base do bolo pra cima quando for desinformado, porque a parte de cima dele tente a dar uma afundada quando assa – então é melhor que isso fique por baixo na hora de servir.
Numa panela, misture a cerveja e o melaço e até ferver (se quiser, coloque a semente de cardamomo junto). Ferveu? Remova do fogo, misture bem o bicarbonato e deixe esfriar.
Misture numa tigela grande os ingredientes secos (farinha, fermento, cravo, canela, noz-moscada). Na batedeira, bata os ovos com os açúcares até ficar uma creme homogêneo. Continue batendo e adicione o óleo, o melaço fervido (tire o cardamomo!) e o gengibre.
Adicione esse mistura aos ingredientes secos, usando um fouet ou espátula, até que fique tudo bem combinado.
Despeje a massa na forma. Bata uma vez o fundo da forme na pia ou mesa, pra tirar bolhas, e leve ao forno. Deixe assar entre 50 e 60 minutos. Faça o teste do palito até sair quase seco, com algumas migalhas úmidas. Tire e deixe esfriar um pouco. Depois, desinforme num prato largo e deixe esfriar completamente.
Não coloque o açúcar de confeiteiro com o bolo ainda quente ou morno – o açúcar começa a derreter e “mancha” sua obra (o apressado aqui fez isso). Deixe pra finalizar pouco antes de servir. Se quiser, pode acompanhar o bolo com chantilly com algumas raspas de limão.

 

Comendo bem em Paris sem destruir sua carteira (parte 1)

parisPassei uma parte de minhas férias em Paris, como vocês que me seguem no Instagram já sabem. Fazia 20 anos que não eu não visitava a capital francesa e quase tudo teve um sabor de novidade. Sim, Paris é uma das cidades mais lindas e encantadoras do mundo – e também uma cidade cara, ainda mais em tempos de euro nas alturas. Um café da manhã simples pode chegar a 25 reais e um jantar razoável passa dos 100 reais. Mas a cidade é coalhada de bistrôs e brasseries, onde invariavelmente come-se muito bem e sem destroçar o bolso. Assim foi minha viagem: comida boa, mas acessível (afinal ainda tinha Nova York pela frente, mas disso falamos depois), mas sem nenhuma estrela no caminho. Seguem aqui minhas andanças e dicas de onde comer em Paris (e por ser longo vamos dividir em dois posts, ok?)

tartare

Meu 1º almoço em paris: steak tartare do Bar’Bouille

Um mar de bistrôs – Praticamente qualquer bistrô do bairro do Marais é bom. Desça na estação Republique e vá andando em direção à Rue de Bretagne. Ali tem vários muito bons. A maioria tem formule midi, ou seja, executivo de almoço, ao redor de 13 euros (entrada + prato principal ou principal + sobremesa). Se quiser, complemente com uma taça de vinho (ao redor de 5 euros), que é quase a mesma coisa que uma coca-cola ou uma cerveja.

salada salmaoO Le Bar’Bouille (13 Rue de Bretagne) tem um ótimo steak tartare, com salada com molho de mostarda e batatas salteadas. Outra boa pedida é a salada com salmão (na foto à direita), que é enorme e ainda vem com torradas. Ali é vantagem pedir ½ garrafa de vinho, que sai 11 euros e rende 2 taças pra cada um. Sobremesa não vale a pena, vá comer uma éclair ou uma tortinha de frutas em qualquer boulangerie ou pastisserie (e que custa de 2,5 a 5 euros). Ah, na maior parte dos bistrôs, no happy hour o preço das cervejas cai (3,50 euros, por exemplo) e as mesinhas apertadas ficam lotadas. Mas só e você suportar bem a fumaça de cigarro na sua cara (sim, os franceses fumam MUITO,  o tempo todo).

 

Perfeição: foie gras mi-cuit com creme de ameixa

Perfeição: foie gras mi-cuit com creme de ameixa

Le Comptoir du Relais (9 Carrefour de l’Odéon) – nove entre dez pessoas vão te indicar esse pequeno restaurante, e elas estão todas certas. O pequeno restaurante com salão em art deco vive entupido de gente em busca da ótima cozinha do chef Yves Camdeborde, um dos papas da bistronomy. Se quiser jantar ali, reserve com no mínimo 3 meses de antecedência. Sobra o almoço, do meio-dia às 15h, e é só na sorte: tem de chegar e esperar mesa.

Pé de porco desossado e empanado.

Pé de porco desossado e empanado.

Super fiz isso e acabei sentando 15 minutos depois, numa das apertadas mesinhas da calçada, debaixo de um sol inclemente. Quando chegaram os pratos, nem lembrei mais do desconforto. Comida de brasserie saborosa, sem frescuras nem presepadas, em porções generosas e preço bem razoável (pelo menos no almoço). Meu menu: foie gras mi-cuit (semi-cozido), extremamente cremoso, com creme de ameixas, salada e pão tostado. No principal, ousei pedir pé de porco desossado, cortado em cubos e empanado, com purê aveludado de batatas. Parece uma porrada, mas era muito saboroso e surpreendentemente não me pesou no resto do dia

 

Feio, mas delicioso: lulas recheadas com legumes à provençal

Feio, mas delicioso: lulas recheadas com legumes à provençal

Meu acompanhante pediu lulas recheadas com legumes à provençal e molho de sua tinta. Dividimos a sobremesa e me arrependi: foi o melhor baba au rhum da minha vida, com o bolo gordinho e esponjoso, encharcado de rum adocicado e acompanhado de chantilly levíssimo. Quase pedi outro…

Melhor baba ao rum da vida!

Melhor baba ao rum da vida!

Com vinho e tudo (e eles têm ótimas opções em taça ou meia garrafa, no almoço), a conta do Comptoir saiu mais ou menos 50 euros por pessoa. Vá, vá e vá.

 

 geleiasLa chambre aux confitures  (9 Rue des Martyrs) – uma lojinha especializada em geleias que é de morrer. Você pode provar com uma colherinha qualquer sabor – e tem uns trocentos. Desde o “basiquinho” morango com menta (maravilhoso, alias) até mais os mais elaborados, como manga, coco e chocolate branco. Tem dois tamanhos, pequena e a normal (7,50 euros). Não compre da pequena – a diferença de preço não compensa e a geleia acaba rápido demais. Ah, bem do ladinho mesmo, fica o Palais de Thés (64, rue Vieille du Temple), uma rede de lojas especializada em chás, infusões, utensílios e geleias (de chá!).

 

crepe droguerieLa Droguerie du Marais (56 Rue des Rosiers) – fica numa travessinha das ruas principais do Marais, mas todo mundo conhece. Tem umas mesinhas (que não vi ninguém usando) e um balcão que dá pra rua, com o menu numa placa bem grande do lado de fora. Ali está a lista de crepes salgados (de 6 a 8 euros) e doces (de 2.50 a 4,5 euros) e eles são maravilhosos. Você pede, paga e sai comendo na mão mesmo – foi meu jantar numa das noites. Aos sábados, a espera pode chegar a meia hora, pois é só um rapaz preparando os crepes de todo mundo (e a habilidade dele com isso já vale uma boa espiada) Eu comi o crepe de la reigne, com (muito!) queijo emmental derretido, presunto, cogumelos e azeitonas. Também tem de atum com tomates e azeitonas, ou frango. E pra quem gosta de crepe doce, o de lá é considerado o melhor crepe de nutella da cidade – mas o de manteiga e açúcar é tão bom quanto

 

pizza pink flamingoPink Flamingo (105 Rue Vieille du Temple) – aqui comi pizza, sim!, pizza! Lugar pequeno, muito simpático e frequentado pela moçada descoladinha, que se acotovela nas apertadas mesinhas na rua. As pizzas são individuais, mas grandinhas, massa fina feita com fermentação orgânica. A minha foi a Basquiat (13 euros), com cobertura de gorzonzola, figo e presunto cru de Auvergne. Outro sabor delicioso é o Le Bjork (13,50 euros), com salmão defumado e crème fraîche. Não provei sobremesas, mas servem cheesecake e torta de pecan. Ah, dica: a outra unidade (67 rue Bichat 75010, perto do Canal de Saint Martin) tem um delivery sui generis: você pede a pizza, ganha um balão cor-de-rosa e vai pro canal. Ele te localizam ali e fazem a entrega de bicicleta. Ótima pedida para um almoço charmoso (uma pizza + bebida sai por menos de 10 euros) às margens do Sena.

 

dejeuner au grand turenneCafé da manhã – essa é moleza: quase todos bistrôs têm seu formule petit déjeuners, ou seja, menu de café da manhã: uma bebida quente (como café com leite) + suco de laranja espremido na hora + um coissant (ou meia baguette com manteiga e geleia). O preço vai de 5,50 a 10 euros. Durante vários dias eu tomei café da manhã no Au Grand Turenne (27, Boulevard du Temple), e pagava 8 euros. Com ovos mexidos e bacon (como na foto ao lado), saia 10 euros – e se quisesse salmão, 12 euros. O garçom é quase um estereótipo, meio ranzinza e sempre com pressa, mas o bistrô ficava do outro lado da rua do hotel (onde o bufé de café da manhã era ótimo, mas custava 16 euros e eu não estava podendo), então era lá mesmo!

 

croissantOu você pode simplesmente comprar um croissant e um café numa boulangerie e sair comendo alegremente pela cidade. Todos croissants que comi em Paris eram super crocantes e não havia necessidade de colocar manteiga – a massa já tem bastante.

Dica de verão: Diletto lança picolé com Chandon

Image-1Nem vou falar que está calor porque seria de uma redundância muar. Porém, tá quente mesmo! Ou seja, vamos tomar sorvete! A dica é o novo sabor dos picolés Diletto: Sgroppino. A guloseima é a versão em palito de um famoso drinque italiano à base de sorbet de limão, espumante e vodca. A bebida surgiu na região do Vêneto – algumas fontes afirmam que a bebida veio do século 16 – e é servida como digestivo ou como drinque de verão. A Diletto fechou uma parceria com a brasileira Chandon e daí surgiu seu picolé Sgroppino, uma equilibrada mistura de sorbet de limao siciliano, Chandon demi-sec e gotas de limoncello (essa versão não leva vodca). Já tomei três. E podem me julgar que nem ligo. Tá calor, mesmo…

www.sgroppino.com.br

Sobre a divertida estreia de Cozinha Sob Pressão

pressao2E o blog Que Delícia também vê TV! Sábado passado, estreou no SBT o reality show Cozinha Sob Pressão, versão do programa Hell’s Kitchen, apresentado pelo estouradíssimo chef escocês Gordon Ramsay. Aqui no Brasil, a disputa é comandada pelo chef Carlos Bertolazzi. O formato: 14 profissionais de cozinha disputam R$ 100 mil em barras de outro, passando por desafios em tempo apertado e condições tensas. E como foi a estreia? Muito boa e divertida. A edição é ágil, com produção afiada e ritmo acertado. O casting, no entanto, é bem heterogêneo: alguns candidatos são visivelmente superiores em técnica e tempo de cozinha, enquanto outros patinam na hora H.

pressao1A melhor coisa do programa é mesmo seu apresentador. Quem conhece Bertolazzi pessoalmente pode estranhar que um sujeito tão boa-praça encarne o papel do chef malvadinho. Mas consta que na cozinha o chef é exigente à beça e bravo. Mas Bertolazzi não caiu na armadilha de imitar Ramsay e seu estilo “o Diabo veste dólmã”. O chef brasileiro prefere a ironia do que o palavrão. Ele também grita, mas atinge mais os brios do candidato quando olha para um desastrado prato de yakisoba e pergunta “isso é só pra mim ou é pra dividir com uma família?”. Ou quando comenta “esse nhoque parece um cemitério indígena”. Aliás, o melhor momento do programa foi quando Bertolazzi pegou o nhoque de uma candidata (posteriormente eliminada) e atirou na mesa, enquanto a cozinheira olhava mortificada seu nhoquinho quicar como uma bola de ping-pong.
pressaoO ponto baixo do programa é a narração cavernosa, estilão SBT, com frases desnecessárias tipo “os candidatos estão tensos diante do chef” ou “quem será que Bertolazzi vai mandar pra casa?” Desnecessário. Ah sim, eu mesmo havia criticado o horário do programa – sábado, 18h – mas pensando bem é uma boa escolha, uma hora em que não se tem muito pra fazer, antes do jantar ou da balada. Aliás, como estava de férias ainda não vi o MasterChef, na Band, por isso não comentei aqui. Mas vou atrás dos episódios passados pra ver como anda aquela cozinha. E vamos torcer para que haja cada vez mais programas de cozinha na TV brasileira.

Bolo de cenoura com especiarias, meu primeiro na batedeira nova!

Captura de Tela 2014-10-12 às 22.58.07Olá, amiguinhos! Depois de longas férias, viajando muito, volto a esse querido espaço pra falar dos restaurantes, das viagens e de… receitas! Sim, comprei minha famigerada batedeira da KitchenAid em Nova York – e valeu muito a pena (falarei disso depois no post sobre NYC). Hoje finalmente inaugurei a dita cuja com um receita indicada pelo querido amigo Rodrigo Cantarelli, do Recife. Trata-se de um bolo de cenoura e especiarias, com toques cítricos, do site Be Nice, Make a Cake. Apesar dessa cara de bolo inglês, ele não é pesado, muito menos seco: a massa leva laranja e muita cenoura ralada, o que a deixa molhadinha, macia mesmo. E a cobertura não é nada enjoativa – até porque leve limão. Vamos aprender? Continuar lendo

Cozinha do Miya une dois talentos para jantares especiais

Arroz de galinha d’angola com quiabo grelhado, um dos pratos da Bel Coelho

Arroz de galinha d’angola com quiabo grelhado, um dos pratos principais criado por Bel Coelho para esse jantar

Um jantar que une dois profissionais da comida que admiro muito, o chef Flávio Miyamura, do restaurante Miya, e a chef Bel Coelho, do Clandestino. Trata-se do projeto Miya Convida, em que Miyamura traz chefs para atuar ao seu lado na cozinha do restaurante (já teve a companhia de Dagoberto Torres, do Suri, Janaina Rueda, do Bar da Dona Onça, Joca Pontes, do ótimo Ponte Nova, no Recife). Os jantares a quatro mãos se realizam amanhã e quarta (dias 2 e 3 de setembro), com seis tempos, ao custo de R$ 175 por pessoa. Bel Coelho abre o menu com ceviche de vieiras com tamarillo, nirá e ar de gengibre de entrada, quanto Flávio prepara tostada com atum marinado, algas e maionese de wasabi

 

Tostada com atum marinado, algas e maionese de wasabi.

Tostada com atum marinado, algas e maionese de wasabi.

Serão três pratos principais – e dois são receitas de Bel Coelho: ovo perfeito com espuma de requeijão mineiro, couve crocante, farofa de milho e paio; e arroz de galinha d’angola com quiabo grelhado. A receita de Flávio é salmão com purê de maçã com baunilha e yuzu. Bel Coelho fecha com a sobremesa de creme de cumaru, sorvete de doce de leite, gelatina de vinho do porto, farofa de baru e caramelo de chocolate. Vou jantar ali amanhã. Quem me encontra por lá? Ah, é bom reservar pra não ficar sem lugar. Ah, de novo: as fotos lindas desse post são do Rogério Voltan. As minhas vocês conferem amanhã no meu Instagram.


Miya
– R. Fradique Coutinho, Pinheiros, tel. (11) 2359-8760, www.restaurantemiya.com.br

Gelatina Arco-Íris: gostinho colorido de infância

arco-irisDesde que meu amigo pernambucano Messias me mostrou essa receita, fiquei um pouco obcecado em fazer – mas confesso que tinha preguiça pelo trabalho e pelo tempo. Mas parecia tão linda… Assim, ontem resolvi  mandar ver na Gelatina Arco-Íris. Na verdade, é uma receita simples, porém trabalhosa e demorada mesmo: demanda paciência. Mas pode ser divertido brincar com cores e sabores. Só uma conselho: veja se sua geladeira está retinha mesmo. Descobri que a minha não estava e o doce ficou meio tortinho. Mas bonito e com gostinho de infância.

 

Gelatina Arco-Íris

Ingredientes
5 pacotes de gelatina de sabores e cores diferentes: comprei de tutti-frutti (azul), limão (verde), abacaxi (amarelo), laranja (cor de laranja) e morando (vermelho). Quase coloquei um 6º, de uva (roxo), mas não caberia na forma.
Leite condensado
Leite de coco
Água fervente e água fria

Modo de fazer
Unte uma forma de pudim com óleo (isso é importante, pois serve para desenformar com facilidade). Num recipiente, misture o pacotinho inteiro de uma gelatina azul a 150 ml de água fervente. Dissolva bem e misture em seguida com 150 ml de água fria. Despeje metade da gelatina dissolvida na forma e leve ao freezer por 10 a 12 min.
Misture a outra metade da gelatina azul com duas colheres de sopa de leite condensado e duas colheres de sopa de leite de coco. Quando a gelatina na forma estiver firme, tire do freezer e despeje essa mistura CUIDADOSAMENTE sobre a gelatina já gelada (se você despejar muita quantidade de uma vez, pode vazar na camada transparente abaixo). Volte ao freezer por mais 15 min.
E assim segue com todas as cores: dissolva a gelatina em água fervente e fria; despeje metade na forma; deixe 10 min no freezer; misture a outra metade com leite condensado e leite de coco; despeje sobre a camada transparente; deie 15 min. no freezer.
Quando terminar a camada cremosa da última cor, e ela já tiver passado pelos 15 min. no freezer, coloque a forma na geladeira por no mínimo 4 horas (deixei a noite toda). Cubra com um prato grande, vire e desenforme. Está pronta.
Dicas: 1) coloque na forma primeiro a cor que você quer que fique por cima quando desenformar; 2) quanto mais alta a forma, mais cores cabem, porém não exagere porque o doce começa a ficar pesado e desaba; 3) respeite bem os tempos de freezer (10 min/15min), mas se achar que ainda a camada está mole deixe mais um ou dois minutos; 4) se não encontrar gelatina de laranja, compre de maracujá e coloque um pouquinho do pó de morango nela pra dar a cor alaranjada; 5) e PRINCIPALMENTE: verifique se sua geladeira está retinha, senão o doce fica meio torto (humpf!).

Menu Paraná privilegia carnes e acerta no ponto

Pernil de leitão maturado à pururuca , com canjiquinha

Pernil de leitão maturado à pururuca , com canjiquinha

O novo cardápio especial do Brasil a Gosto, o Menu Paraná, tem uma diferença fundamental em relação dos 32 menus regionais que a chef Ana Luiza Trajano já criou em seu restaurante: todos os pratos são à base de carne, bovina ou suína. Um baque e tanto numa casa que prima pelo preparo aguçado de pescados e frutos do mar. Mas há uma razão inquestionável: Estado com pequena faixa litorânea, o Paraná se destaca pela atividade pecuária – e seu receituário típico, uma mescla dos costumes de imigrantes e dos índios, reflete isso. Problema? Absolutamente: nas mãos da chef, o menu “carnívoro” ganhou harmonia e versatilidade. Caso do saboroso leitão maturado à pururuca (R$ 159, para duas pessoas), que chega à mesa com a pele dourada, firme e crocante, acompanhado de uma cremosa canjiquinha e conserva de tomate verde e repolho.

Barreado super suculento da chef Ana Luiza Trajano

Barreado super suculento da chef Ana Luiza Trajano

A ideia de compartilhar a comida é outra marca do menu paranaense: os dois pratos principais são servidos desse modo, lembrando as festas e celebrações locais. “A não ser quando a pessoa pede menu degustação; daí as receitas chegam em porção individual”, conta a chef. Esse é o caso do prato mais celebrado da cozinha paranaense, o barreado (R$ 129, para duas pessoas). E chega à mesa cheio de charme, numa panela de barro lacrada com farinha de mandioca e água, aberta na frente do cliente. Além de charmosa, a receita é muito gostosa: a carne é cozida por quatro horas, com barriga de porco e ervas frescas, resultando em maciez e aroma incríveis. Acompanha arroz, pirão bem grossinho e banana da terra cozida no vapor de cachaça.

Pão com almôndega: quer coisa mais comfort?

Pão com almôndega: quer coisa mais comfort?

Além dos principais, o Menu Paraná tem um petisco interessante: pão com bolinho de carne (R$ 25), bem macio, e maionese caseira. Comfort food com sotaque do Sul. A entrada é carne de onça (R$ 29). Calma, não pense que a chef mandou matar felinos pra servir aos clientes. Trata-se de carne moída sobre pão preto, cebola, cheiro verde e mostarda preta, quase um tartare – e dizem que ganhou esse nome porque os temperos deixam você com “bafo de onça”. Eu não fiquei! A sobremesa é um folhado de doce de leite e compota de maçã verde (R$ 29), com sorvete de nata e canela e farofa de amendoim. Como já disse, o menu pode ser pedido a la carte (cada item tem seu preço), degustação (R$ 175) ou degustação harmonizado (R$ 205) com vinhos brasileiros da vinícola Salton. Ah, esse cardápio será oferecido nos próximos quatro meses.

Pra fechar: folhado de doce de leite e compota de maçã verde

Folhado de doce de leite e compota de maçã verde

 

Brasil a Gosto - R. Professor Azevedo Amaral, 70 – Jardim Paulistano, tel. (11) 3086-3565, www.brasilagosto.com.br