Comi pendurado a 50 m do chão

O experiente garçom Israel (subiu 15 vezes!) já tem prática em tirar boas fotos. Nem parece que eu e o Marcelo Katsuki estamos morrendo de medo!

“Voar voar, subir subir”… Sim, só dava Biafra na minha cabeça enquanto eu era erguido, junto com 21 pessoas, a 50 metros do chão na noite de sexta-feira. Na verdade, só teve a segunda parte da música: subimos, mas não voamos. Nem dá: antes de subir, você é preso em sua cadeira pelos profissionais de segurança. Até o guardanapo fica preso a um ganchinho pra não sair voando. A ocasião? O famoso Dinner in the Sky, no qual os convidados são acomodados (e bem presos) ao redor de uma plataforma retangular – no meio ficam o chef, os ajudantes de cozinha e os garçons. O evento desse ano foi fechado para convidados de uma construtora, promovendo um empreendimento imobiliário na Faria Lima (que já vendeu todas as unidades!).

Montanha-russa? Não, plataforma do Dinner in the Sky! Coragem!

A noite também teve outra comemoração: os 150 anos da cava espanhola Freixenet. A comida, obviamente, seguiu a mesma toada: tapas e pratos de inspiração espanhola, feitos pelo chef Juliano Valese, do restaurante Torero Valese. Mas como cozinhar a essa altura, meu Deus? Simples: toda a comida é preparada num container equipado com uma cozinha profissional, ao lado da plataforma e do guindaste. Lá em cima, é apenas esquentada, finalizada e servida.

Entradas frias: ceviche de vieiras e lagostim com chips de jamón serrano. Ao fundo, o delicioso gazpacho andaluz

Confesso: assim que aceitei o convite, eu me arrependi. Não tenho medo de altura (só o normal), mas sou um pouco claustrofóbico. Ok, a plataforma é totalmente aberta, mas a sensação de estar preso em um lugar do qual não há saída imediata me causa aflições abissais. Pra não passar vergonha e pagar de covarde, fui de qualquer jeito. Fiz xixi três vezes antes, só pra garantir, né?

Pra esquecer do medo: creme de abóbora com mexilhões frescos e mini tapa de machego gratinado com tomate catalão sobre pão

Depois que todos estão acomodados (presos…), eles já começam a servir a cava e conversar, pra distrair os convivas da subida. Na verdade nem precisava: a subida é tranqüila, quase não balança. Quando chega aos 50 m, o guindaste trava e… voilá!

Três coisas! 1) agradeço muito ao Papai do Céu por ter pegado uma noite boa, com céu limpo, pouco frio e sem vento (imagine o efeito “barco viking do Playcenter”?). 2) Apesar de não estarmos perto de nenhum ponto turístico, tipo Ibirapuera, ou de um horizonte especialmente bonito da cidade, a vista lá de cima é bem bacana. 3) Não olhe pra baixo. Olhei e quase fiz o coronel Fábio e pedi pra sair. O que me salvou foram as tacinhas non-stop de Freixenet que o simpático e prestativo Israel servia pra gente. Depois da terceira, tudo foi ficando mais tranqüilo e quase não pensei mais na altura (mentira, o tempo todo fiquei me imaginando despencando de lá, mas no fim até ria da idéia).

Prato principal: robalo grelhado a la plancha en su tinta, com crip de mandioquinha e geleia de pimenta biquinho

A comida? Bem, não se pode esperar a mesma qualidade de um restaurante “no chão”, com a cozinha inteira à mão e sem a sensação de estar balangando ao sabor das intempéries (olha o drama!). Mas Juliano não fez feio, não – aliás, as entradas estavam deliciosas, confirmando a ótima mão do chef para as tapas. Confira nas fotos. Quanto à cava, foram servidas três: a Cordón Rosado Brut (o “remédio” que me acalmou), a Carta Nevada Demi-Sec e o Cordón Negro Brut (meu preferido da noite).

Pra adoçar antes da descida: crema catalana com toque de fraboesa

Quando mal notei, o “restaurante” já estava descendo. A coisa toda dura menos de duas horas, mas parece que passou mais rápido – será que nos céus o tempo corre mais? Enfim, como eu disse, esses eventos eram fechados para convidados. Mas o Alex Tessitore, um dos organizadores, me disse que é muito provável que o Dinner in the Sky volte a São Paulo em dezembro, daí sim aberto ao público. É só juntar dinheiro – e coragem.

O chef Juliano Valese em ação. Se eu tive medo sentado e amarrado à cadeira, imagine ele, de pé e preso por um cinto?

Torero Valese – Avenida Horácio Láfer, 640, Itaim Bibi, tel. (11) 3168-7917, www.torerovalese.com.br

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