Bom de cama, ruim de mesa

Contrastes: a suíte do WTC São Paulo Sheraton projetada pelo casal Mariana Albuquerque e Guilherme Ommundsen brinca com cores, preto e branco. Gostei!

Ao acordar ontem, dei de cara com uma paisagem que dificilmente imaginaria ver pela janela: a ponte estaiada brilhando sob um dia ensolarado, de céu azul. Essa era a vista da minha suíte no Sheraton São Paulo WTC, onde passei a noite de sábado e a manhã de domingo. Fiquei em uma das 67 suítes customizadas do hotel, a 505, projeta pelo casal Mariana Albuquerque (arquiteta) e Guilherme Ommundsen (engenheiro). Brunete Fraccaroli, João Armentano, Maurício Karan, Fernando Piva e Deborah Aguiar são exemplos de outros arquitetos que criaram quartos pro WTC. Guenta só como foi!

Que tal nós dois numa banheira de espuma? Reparem no detalhe do sabonete-patinho. Pirei nisso

Curti o décor, um carpete mega colorido, contrastando com sofá e poltrona pretos e com o mobiliário branco. Na frente da cama, tem uma pesada cortina de veludo vermelhão – quando aberta, revela uma janela interna que dá para o banheiro, mais especificamente para a banheira branca. Claro que tomei um banho de espuma e me usei o sabonete-patinho que ficava na banheira. Adorei o conceito.

Brandade de bacalhau do Badebec. Na verdade, lascas do peixe com batatas e molho branco

A diária do quarto como esse, da “categoria design”, sai por R$ 980. Ainda tem mordomias como lounge executivo no quarto andar, com bebidinhas e lanchinhos free, cardápio de travesseiros aromatizados e medicinais, serviço de mordomo (cadê o meu Eugênio), passe livre pro Clube A . Divertido mesmo.

Mix de pastéis de queijo branco e fraldinha moída. Fritura sequinha, recheio bom, mas tímido demais.

Já no restaurante do hotel, o Badebec, não senti essa firmeza toda. Jantei lá no sábado. Cheguei às 21h40. Havia quatro meses ocupadas, o resto do salão vazio – o restaurante fecha às 23h. O cardápio é até enxuto de opções e gordo nos preços. Minha entrada prometia: brandade de bacalhau com cremoso de batatas, seleção de verdes e redução de romã (R$ 27). O que veio foi uma cestinha com lascas do peixe e molho branco – muito diferente do que chamo de brandade. E essa romã deve ter sido tão reduzida que até sumiu, pois não senti no paladar. Meu acompanhantes pediu seis pastéis mistos (de queijo minas e fraldinha moída). Achei saborosos, com a fritura sequinha, mas, como eram grandes, ficavam meio vazios.

Empilhadeira: robalo por cima de uma mistura de farofinha de couve e aligot de banana da terra. Separados funcionariam melhor!

Os pratos principais foram mais problemáticos. No menu, robalo com farofinha de couve manteiga e aligot de banana da terra (R$ 58,60). Na mesa, uma prato fundo com duas postas do peixe, sem muito gosto, sobre uma mistureba da tal farofinha, alguns fios de couve e uma pasta de banana desanimada por baixo. Achei que os ingredientes separados num prato raso ganhariam mais destaque. Enfim, do outro lado da mesa, o medalhão de filé na manteiga de ervas (R$ 53) tinha uma cor opaca, veio no ponto errado (quase bem passado, quando foi pedido ao ponto), acompanhado de uma saladinha verde e fritas palito – estas bem sequinhas e gostosas.

O filé na manteiga de ervas era pra ser ao ponto. Passou um pouquinho, né?

Na hora da sobremesa, um momento cômico: pedi uma torta de peras com especiarias e crocante de amêndoas. O garçom disse que naquele noite não tinha. “Mas o senhor não está perdendo nada, essa sobremesa é muito light”. Eu ri e fui no cheesecake com cobertura de goiaba e… sorvete de baunilha! (R$ 14,90). Achei meio bizarra a combinação, mas o sabor estava bom. Porém, a porção era pequena – foi a primeira vez em que a bola de sorvete tinha o mesmo tamanho do doce que a acompanha.

Não entendi o sorvete de baunilha junto com o cheesecake "romeu-e-julieta". O doce em si estava bom, mas podiam caprichar na porção!

Meu amigo apostou numa mousse de coco com baba de moça e coco queimado (R$ 14) que tinha jeitão de pudim. A mistura de texturas, no entanto, foi interessante. Ah, o sequilho que veio com o café era bem gostosinho.

Parece pudim, mas chamam de mousse... Porém, o gosto era interessante e as texturas casaram bem

Resumo da ópera: ponto positivo para o WTC por investir em design requintado e (ótimo) atendimento personalizado nas suítes customizadas. Mas o restaurante confirma o velho estereótipo de comida de hotel: pretensiosa, sem graça e cara.

Um desequilíbrio desses abala até a ponte estaiada!

Bacana acordar num domingo com essa vista!

Sheraton WTC Hotel – Av. das Nações Unidas, 12.551, Brooklin Novo, tel. 3055-8000, www.sheratonsaopaulowtc.com.br

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