Vive la revolución… na cozinha!

U-la-lá! Entrada comfort food: creme de ovos mexidos com champignons e presunto com torradas de brioche

Liberdade, Igualdade e Obesidade! Foi meio por aí meu clima de 14 de Julho esse ano, pois obviamente exagerei na comilança. Na França, essa data é feriado no estilo 7 de Setembro brasileiro (ou 4 de Julho americano). A data marca a Queda da Bastilha, movimento que deflagrou a Revolução Francesa em 1789 – e fez Maria Antonieta literalmente perder a cabeça alguns anos depois. Mas chega de aulinha de História e vamos ao que interessa: comida! Alguns restaurantes franceses de São Paulo criaram pratos ou cardápio especiais para homenagear a data, como o Chef Rouge, que serve o Menu 14 Juillet, no almoço e jantar, até dia 18. Ontem fui à unidade dos Jardins e jantei com amigos e com a própria chef Renata Braune. Enquanto falávamos da Revolução, de comida e de problemas na coluna (Renata tem hérnia de disco na lombar; eu, na cervical…), os garçons foram trazendo as delícias e os vinhos. Em pouco tempo a risada ficou bem mais alta e os assuntos, bem mais leves.

 

O prato principal era agneau bordelaise... ou seja, carré de cordeiro com molho de vinho tinto, bacon e cebolinhas, com batatas Pont-Neuf

Depois de uns amuse-bouche (aperitivos, também chamados de, pasme, amuse-gueule) regados por Moët & Chandon, veio a entrada: oeufs brouillé au jambon et champignons de Paris (R$ 31). Ta bom, em bom português: um creme de ovos mexidos com champignons e presunto, servidos com torradas de brioche. Não tenho como descrever o cheiro (nem digo aroma, era cheiro mesmo) que vinha do prato. Minha boca encheu de água na hora! Quase caio matando e me esqueço de fotografar!

Carolinas recheadas com creme de pistache e chantilly. O nome já diz tudo: uma experiência quase...religieuse!

O prato principal é agneau bordelaise (R$ 69); ou seja, carré de cordeiro com molho de vinho tinto, bacon e cebolinhas, com batatas Pont-Neuf. O molho homenageia a cidade de Bordeaux, de onde saem grandes vinhos e onde o molho bordelaise foi criado. As fritas se referem a uma ponte famosa em Paris onde, na época da Revolução, ambulantes vendiam batatas fritas para o povo. Carne macia, molhinho cremoso, batatas crocantes… comi tudo e quase perdi a compostura e chupo os ossinhos do cordeiro. Mon Dieu!

A sobremesa… bem, quando aquela maravilha chegou me senti em plena corte do rei Luiz XVI: Religieuse (R$ 20), carolinas recheadas com creme de pistache e chantilly. Parecia cena do filme Maria Antonieta, da Sofia Coppola. A massa, a mesma de uma éclair, derretia na boca e revelava o creme saboroso. Mesmo o glacê verdinho que cobria o doce não pesava.

Pra terminar, cafezinho, macaron e adieu!

Ah, uma informação de importância cultural: quem pedir o menu completo (R$ 120) ganha o livro livro Carrefour – Para Intelectuais Franceses (editora do autor, 230 pgs.), de Jayme Vita Roso. Nada a ver com o supermercado! É uma  antologia de pensadores contemporâneos como Edgar Morin, Marc Levy, Claude Lanzmann,Bernard-Henri Levy – segundo Roso, todos de origem judaica e não-francesa, “mas que migraram para a França em algum momento de suas vidas”.

Depois disso, só um cafezinho e adieu!

Chef Rouge – R. Bela Cintra, 2.238, Jardins, tel. (11) 3081-7539; Morumbi Shopping, Av. Roque Petroni Júnior, 51, Morumbi, tel. (11) 5181-9749

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