Os aromáticos cafés do robozinho

Não contém robô! É só café mesmo - e do bom

O tempo muda mesmo a gente – e muitas vezes no bom sentido. Por exemplo, quando eu era mais novo, não gostava de comida japonesa. Só as “quentes”. Sushi, sashimi, shoyu… odiava tuso isso. Hoje,gosto tanto que se pudesse passaria a semana jantando só no japa, e seria um homem mais feliz (e mais saudável). Com café foi pior. Nunca gostei, desde moleque. Nem misturado ao leite; tinha de ser Nescau ou Ovomaltine (não era também muito fã de Toddy, sorry, Dani Albuquerque). Não entendia o prazer das pessoas em finalizar uma refeição com aquela tinta de cheiro forte. Eu preferia ficar com o gostinho da sobremesa até a hora de escovar os dentes.

Claro, cresci, amadureci e muita coisa mudou. Continuo fugindo de pimentão, principalmente o verde – e nem adianta vir com aquela receita de uma tia, que tira a pele do legume e não dá azia de jeito nenhum, porque para mim comer pimentão significa horas seguidas de enjôo, dor de cabeça e um edifício Joelma em brasas no meu esôfago. Mas café… passei a adorar. E quanto mais conheço, mais bebo e mais quero conhecer – e por aí vai. Na semana passada, estive no Coffee Lab da Isabela Raposeiras. Sim, enorme falha minha ainda não conhecer o premiado café, uma casa charmosíssima na Vila Madalena onde Isabela faz verdadeiras alquimias com a bebida mais brasileira de todas. E ainda serve acompanhamentos sensacionais, como o polvilho com cream cheese, que já deixou meu amigo Marcelo Katsuki viciado, e bolos “caseiros”, como o de limão, que quase ME deixou viciado.

Bolo de limão e café com canela: quase saí pelo Coffee Lab procurando o espírito da minha nonna!

Não fui lá, porém, para tomar as mágicas xícaras da Isabela. Era o lançamento de uma nova  marca, o Martins Café. A surpresa já começa na embalagem: as caixinhas com cores elegantes trazem a imagem de um… robô! E não é um daqueles autômatos de filmes atuais, com linhas modernas e cores translúcidas. São robôs “old school” mesmo, como os que apareciam em filmes de ficção científica dos anos 1950 e 60 (parem de ser maldosos, eu não tinha nascido ainda, mas vi tudo em DVD depois, humpf). Total estilo futurista-retrô. “A gente não queria nada que lembrasse fazenda, juta, ramo de café, essas coisas que estão em todas as embalagens nas prateleiras de supermercado. Queríamos algo que representasse as técnicas modernas, mas com um olhar pro passado”, diz Maíra Lopes, uma das três figuras criadoras do conceito e da marca, todos amigos e formados em Administração Pública da fundação Getúlio Vargas.

 
Os outros sócios são Fabíola Filinto e Mariano Martins. Ele é o herdeiro da fazenda Santa Margarida, em São Manuel (SP), propriedade que produz café desde 1888. Ele trabalhava no Unibanco e resolveu assumir os negócios da família quando seu pai pensou em vender a fazenda. Em dois anos, dobrou a produção do café e resolveu criar uma marca para o varejo. Nasce um robô!

E o café, o que dizer? O Martins vem em cinco versões. O puro é da espécie 100% arábica, bem encorpado, com um toque de acidez bem agradável na boca. As outras quatro são blends de cafés com especiarias, desenvolvidos pelo consultor e mixologista Marco De La Roche, da Drink.Lab. Ele me disse que passou quatro meses testando 15 especiarias 100% naturais até fecharem nessas quatro: cardamomo, noz moscada, canela e, pasmem, anis! Bem, sou suspeito pra comentar esta última pois gosto de anis desde criança (tá vendo como eu não era tão chato assim?). Mas num café… foi a primeira vez que tomei e fiquei encantado. O anis é bem presente, mas nada enjoativo, e deixa a bebida com um tom aristocrático, fino. Canela é covardia, já que é minha especiaria predileta e no café ficou sensacional: super aromática e especialmente gostosa quando misturada com um pouco de leite. Quase saí procurando o espírito da minha avó, achando que ela havia preparado minha xícara! Já o blend de noz moscada é marcante, bem seco, quase dá pra sentir um granulado no sabor, e o de cardamomo tem um surpreendente toque de refrescância – e também fica ótimo com leite.

Adorei o conceito futurista-retrô das caixinhas: cada blend tem sua cor e seu robô especial

O preço? A caixa com 250 g do 100% arábica custa R$ 16,90; os blends de especiarias saem por R$ 21,90 cada. Ainda é vendido em poucas casas, como o Pastifício Primo, então é legal checar no site do Martins Café para saber onde comprar, ou encomendar ali mesmo. O site é bem divertido, com explicações sobre torra, glossários pra qualquer um entender melhor o “caféês” e até um pdf bem didático explicando o passo-a-passo de vários processos de preparo de café (coador, cafeteira italiana, aeropress, cafeteira elétrica etc.) Ah, também dá pra comprar também a caneca grande com o robozinho.
Detalhe curioso: a caixinha é tão bacana e lúdica que até traz um aviso “Não contém robô”. Pra não deixar nenhuma criança frustrada, achando que ali dentro tem um brinquedo. Se fosse eu, quando moleque, morreria!

Martins Café www.martinscafe.com.br

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2 respostas em “Os aromáticos cafés do robozinho

  1. Junior.. como te falei.. parabéns pelo “novo” blog..
    Quanto ao café.. acho que já tomei um café que tinha um cardamomo…aliás.. não lembro se era café, capuccino… o que sei é que o cardamomo chamou a atençao…
    abração. M4rce1o.

  2. ADOREI! Parabéns pelo blog e pelo texto delicioso de sempre. O blog não poderia ter outro nome. É uma delícia estar com você e igualmente bom dividir as coisas deliciosas que você apresenta em fotos, textos e vivências reais. Boa sorte e bom 2012 e 13, 14, 15… bjs, Deni

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