Um camarão de lamber os beiços

Cocotte de camarão à provençal: quase dou vexame, pois queria lamber a panelinha antes do garçom levar

Se houvesse uma espécie de medalha olímpica para o restaurateur mais ativo de São Paulo, o Juscelino Pereira seria um dos favoritos na categoria! Me acompanhem: o simpático paulista de Joanópolis é dono do ótimo Piselli, sócio do Zena Caffè (que fez três anos ontem e vive cheio) do premiado Tre Bicchieri e da nova pizzaria de grife Maremonti Jardins (que comentei aqui). Não é que agora o Juscelino resolveu sair da curva italiana e se aventurar na gastronomia francesa? O nome do novo restaurante é La Cocotte, no mesmo endereço onde funcionava outra casa do empresário, a Ministro 1153. E a guinada à francesa já se mostra campeã: mal abriu e o lugar está bombando (comi lá numa quarta qualquer e não havia mesa livre). Mas o que importa mesmo é a comida – e a do La Cocotte é deliciosa.

Atenção ao biquinho: grenouille au cerfeuil, ou seja, rã com cerefólio e batata bolinha dourada no forno

Obra do outro sócio da casa, o chef Fred Frank, que tem 15 anos de experiência em restaurantes de São Paulo, Nova York e Londres (o terceiro sócio é Pedro Sant´Anna, que fica à cargo da operação no dia-a-dia da casa). O nome da casa tem tudo a ver com a cozinha: cocottes são aquelas panelinhas francesas usadas em bistrôs de Paris para servir alguns pratos diretamente na mesa. Aqui elas aparecem em várias formas, tamanho e cores, inclusive na decoração charmosíssima do salão, projeto do designer de interiores Nando Marmo.

O steak tartare do “Nando”, feito com fraldinha, servido com fritas: tempero aguçado, fritas crocantes

E o menu? Clássicos da culinária francesa, pratos de bistrô e algumas criações interessantes, como La cocotte de galinha caipira orgânica de Joanópolis com morilles e polenta (R$ 56) e o ravioli de queijo brie com pêra ao creme de alho-poró (R$ 41). Mas já estou me adiantando! Quer uma entradinha mais leve? Pela a cremosa terrine de campagne caseira com torradas e minissalada (R$ 31). Está com mais fome? Steak tartare do “Nando”, feito com fraldinha, servido com fritas, em porção de entrada (R$ 38) ou prato principal (R$ 48). Mas quer mesmo lamber os beiços logo de cara? Manda ver no grenouille au cerfeuil (R$ 38), ou seja, uma suculenta rã com cerefólio e batata bolinha dourada no forno. Quase pedi mais três e dei por encerrada a noite, mas ainda bem que não cometi essa sandice!

Entrada à francesa: terrine de campagne caseira com torradinhas

As cocottes se revezaram e trouxeram boas surpresas à boca. Como o boeuf bourguignon (R$ 52), espécie de picadinho francês, com cogumelos e bacon, acompanhado de um aveludado purê de batata clássico. Meu preferido da noite, no entando, não foi o pato, mas o camarão a provençal na cocotte com arroz basmati (R$ 78). Os crustáceos carnudos vêm na panelinha, lambuzados no molho à base de manteira, ervas e alho, num resultado intenso, apaixonante. Isso que eu adorei no La Cocotte: é culinária francesa pra chutar o balde da dieta e ser feliz.

Boeuf bourguignon com purê de batata clássico. Sim, a foto está escura, não me julguem, comi demais

E por falar em dieta, o chef me manda uma rodada de sobremesas que por pouco não chamei a polícia. Gente, não pode! A formiga atômica aqui entra em transe com tanta guloseima! Pra vocês terem uma idéia da encrenca, Fred Frank disparou pra minha mesa uma cocotte de macarons variados (R$ 18; ok, nem liguei muito), bolo-mousse de chocolate e praliné (R$ 18; já comecei a ficar tenso), Île flottante (R$ 15), ou seja, ovos nevados com creme inglês ( e eu trêmulo a cada colherada naquela maravilha), e baba ao rum com creme de chantilly (R$ 19) – corta pra mim quase chorando porque não há mais espaço dentro de mim, mas eu quero mais daquele bolinho esponjoso, encharcado numa calda com rum.

A covardia da noite: baba ao rum com creme de chantilly, o bolinho esponjoso encharcado na calda

Mas… ainda havia espaço dentro de mim! Mandei pra dentro uma garfada no brownie do chef com sorvete de leite de amêndoa e calda de chocolate (R$ 19), uma concessão americana no menu perfeitamente francês, sobremesa-assinatura de Fred de sua antiga casa, o Vitrô. Depois dessa, só café, água e três colheres de Diabo Verde pra dissolver a muralha de calorias que inflou dentro de mim. Brincadeiras à parte, Juscelino acertou mais uma vez com esse francês inspirador. Se continuar assim, fatura fácil fácil a tal medalha que inventei no começo desse post.

Brownie do chef com sorvete de leite de amêndoa e calda de chocolate e frutas vermelhas. Cadê Diabo Verde, gente?

La Cocotte Bistrot – Al. Ministro Rocha Azevedo, 1153, Jardins, tel. (11) 3081-0568, www.lacocotte.com.br 

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Uma resposta em “Um camarão de lamber os beiços

  1. Fui almoçar no Zena hoje e fiquei impressionado com o conjunto da obra. Qualidade, atendimento, variedade, ambiente e preço excepcionais! Me motivou a conhecer as demais casas do “grupo”. Ah, o Zena está por abrir uma “filial” no Itaim, até o fim de fevereiro. A conferir!

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