Comendo bem em Paris sem destruir sua carteira (parte 1)

parisPassei uma parte de minhas férias em Paris, como vocês que me seguem no Instagram já sabem. Fazia 20 anos que não eu não visitava a capital francesa e quase tudo teve um sabor de novidade. Sim, Paris é uma das cidades mais lindas e encantadoras do mundo – e também uma cidade cara, ainda mais em tempos de euro nas alturas. Um café da manhã simples pode chegar a 25 reais e um jantar razoável passa dos 100 reais. Mas a cidade é coalhada de bistrôs e brasseries, onde invariavelmente come-se muito bem e sem destroçar o bolso. Assim foi minha viagem: comida boa, mas acessível (afinal ainda tinha Nova York pela frente, mas disso falamos depois), mas sem nenhuma estrela no caminho. Seguem aqui minhas andanças e dicas de onde comer em Paris (e por ser longo vamos dividir em dois posts, ok?)

tartare

Meu 1º almoço em paris: steak tartare do Bar’Bouille

Um mar de bistrôs – Praticamente qualquer bistrô do bairro do Marais é bom. Desça na estação Republique e vá andando em direção à Rue de Bretagne. Ali tem vários muito bons. A maioria tem formule midi, ou seja, executivo de almoço, ao redor de 13 euros (entrada + prato principal ou principal + sobremesa). Se quiser, complemente com uma taça de vinho (ao redor de 5 euros), que é quase a mesma coisa que uma coca-cola ou uma cerveja.

salada salmaoO Le Bar’Bouille (13 Rue de Bretagne) tem um ótimo steak tartare, com salada com molho de mostarda e batatas salteadas. Outra boa pedida é a salada com salmão (na foto à direita), que é enorme e ainda vem com torradas. Ali é vantagem pedir ½ garrafa de vinho, que sai 11 euros e rende 2 taças pra cada um. Sobremesa não vale a pena, vá comer uma éclair ou uma tortinha de frutas em qualquer boulangerie ou pastisserie (e que custa de 2,5 a 5 euros). Ah, na maior parte dos bistrôs, no happy hour o preço das cervejas cai (3,50 euros, por exemplo) e as mesinhas apertadas ficam lotadas. Mas só e você suportar bem a fumaça de cigarro na sua cara (sim, os franceses fumam MUITO,  o tempo todo).

 

Perfeição: foie gras mi-cuit com creme de ameixa

Perfeição: foie gras mi-cuit com creme de ameixa

Le Comptoir du Relais (9 Carrefour de l’Odéon) – nove entre dez pessoas vão te indicar esse pequeno restaurante, e elas estão todas certas. O pequeno restaurante com salão em art deco vive entupido de gente em busca da ótima cozinha do chef Yves Camdeborde, um dos papas da bistronomy. Se quiser jantar ali, reserve com no mínimo 3 meses de antecedência. Sobra o almoço, do meio-dia às 15h, e é só na sorte: tem de chegar e esperar mesa.

Pé de porco desossado e empanado.

Pé de porco desossado e empanado.

Super fiz isso e acabei sentando 15 minutos depois, numa das apertadas mesinhas da calçada, debaixo de um sol inclemente. Quando chegaram os pratos, nem lembrei mais do desconforto. Comida de brasserie saborosa, sem frescuras nem presepadas, em porções generosas e preço bem razoável (pelo menos no almoço). Meu menu: foie gras mi-cuit (semi-cozido), extremamente cremoso, com creme de ameixas, salada e pão tostado. No principal, ousei pedir pé de porco desossado, cortado em cubos e empanado, com purê aveludado de batatas. Parece uma porrada, mas era muito saboroso e surpreendentemente não me pesou no resto do dia

 

Feio, mas delicioso: lulas recheadas com legumes à provençal

Feio, mas delicioso: lulas recheadas com legumes à provençal

Meu acompanhante pediu lulas recheadas com legumes à provençal e molho de sua tinta. Dividimos a sobremesa e me arrependi: foi o melhor baba au rhum da minha vida, com o bolo gordinho e esponjoso, encharcado de rum adocicado e acompanhado de chantilly levíssimo. Quase pedi outro…

Melhor baba ao rum da vida!

Melhor baba ao rum da vida!

Com vinho e tudo (e eles têm ótimas opções em taça ou meia garrafa, no almoço), a conta do Comptoir saiu mais ou menos 50 euros por pessoa. Vá, vá e vá.

 

 geleiasLa chambre aux confitures  (9 Rue des Martyrs) – uma lojinha especializada em geleias que é de morrer. Você pode provar com uma colherinha qualquer sabor – e tem uns trocentos. Desde o “basiquinho” morango com menta (maravilhoso, alias) até mais os mais elaborados, como manga, coco e chocolate branco. Tem dois tamanhos, pequena e a normal (7,50 euros). Não compre da pequena – a diferença de preço não compensa e a geleia acaba rápido demais. Ah, bem do ladinho mesmo, fica o Palais de Thés (64, rue Vieille du Temple), uma rede de lojas especializada em chás, infusões, utensílios e geleias (de chá!).

 

crepe droguerieLa Droguerie du Marais (56 Rue des Rosiers) – fica numa travessinha das ruas principais do Marais, mas todo mundo conhece. Tem umas mesinhas (que não vi ninguém usando) e um balcão que dá pra rua, com o menu numa placa bem grande do lado de fora. Ali está a lista de crepes salgados (de 6 a 8 euros) e doces (de 2.50 a 4,5 euros) e eles são maravilhosos. Você pede, paga e sai comendo na mão mesmo – foi meu jantar numa das noites. Aos sábados, a espera pode chegar a meia hora, pois é só um rapaz preparando os crepes de todo mundo (e a habilidade dele com isso já vale uma boa espiada) Eu comi o crepe de la reigne, com (muito!) queijo emmental derretido, presunto, cogumelos e azeitonas. Também tem de atum com tomates e azeitonas, ou frango. E pra quem gosta de crepe doce, o de lá é considerado o melhor crepe de nutella da cidade – mas o de manteiga e açúcar é tão bom quanto

 

pizza pink flamingoPink Flamingo (105 Rue Vieille du Temple) – aqui comi pizza, sim!, pizza! Lugar pequeno, muito simpático e frequentado pela moçada descoladinha, que se acotovela nas apertadas mesinhas na rua. As pizzas são individuais, mas grandinhas, massa fina feita com fermentação orgânica. A minha foi a Basquiat (13 euros), com cobertura de gorzonzola, figo e presunto cru de Auvergne. Outro sabor delicioso é o Le Bjork (13,50 euros), com salmão defumado e crème fraîche. Não provei sobremesas, mas servem cheesecake e torta de pecan. Ah, dica: a outra unidade (67 rue Bichat 75010, perto do Canal de Saint Martin) tem um delivery sui generis: você pede a pizza, ganha um balão cor-de-rosa e vai pro canal. Ele te localizam ali e fazem a entrega de bicicleta. Ótima pedida para um almoço charmoso (uma pizza + bebida sai por menos de 10 euros) às margens do Sena.

 

dejeuner au grand turenneCafé da manhã – essa é moleza: quase todos bistrôs têm seu formule petit déjeuners, ou seja, menu de café da manhã: uma bebida quente (como café com leite) + suco de laranja espremido na hora + um coissant (ou meia baguette com manteiga e geleia). O preço vai de 5,50 a 10 euros. Durante vários dias eu tomei café da manhã no Au Grand Turenne (27, Boulevard du Temple), e pagava 8 euros. Com ovos mexidos e bacon (como na foto ao lado), saia 10 euros – e se quisesse salmão, 12 euros. O garçom é quase um estereótipo, meio ranzinza e sempre com pressa, mas o bistrô ficava do outro lado da rua do hotel (onde o bufé de café da manhã era ótimo, mas custava 16 euros e eu não estava podendo), então era lá mesmo!

 

croissantOu você pode simplesmente comprar um croissant e um café numa boulangerie e sair comendo alegremente pela cidade. Todos croissants que comi em Paris eram super crocantes e não havia necessidade de colocar manteiga – a massa já tem bastante.

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