Comendo bem em Paris sem destruir sua carteira (parte 2)

Já pensou num piquenique com essa vista?

Já pensou num piquenique com essa vista?

Continuando o post sobre minhas andanças gulosas por Paris, vai uma dica de economia: quando puder, guarde seus valiosos euros em algumas refeições, principalmente no almoço, para investir num jantar mais bacana (como os que falarei abaixo). Dá pra comer bem e com charme. Passe numa boulangerie ou num mercado e pegue um baguette com queijo e presunto (são grandes e custam cerca de 6 euros), uma garrafinha de vinho (nos supermercados há rótulos razoáveis por 3 euros a meia garrafa) e, se o tempo ajudar, almoce num dos bancos do Jardin des Tuileries (na foto) ou faça um mini piquenique no Jardin des Luxembourg. Só não caia na besteria de comprar os sanduíches feitos nos quiosques dentro do parque: são caros, enjoativos e preparados com muita má vontade. Fuja!

galeteCaso você puder elevar um pouco o orçamento, aposte numa gallete da Crêperie Paris Montorgueil (37 rue Mauconseil). Em tempo: galette é um crepe salgado feito de trigo sarraceno e servido como prato principal. Ali provei o La Parisienne, uma boa combinação de queijo emmental, presunto, cogumelos, ovo e tomates, por 9 euros. Pelo mesmo preço, havia o La Végétarienne, com cogumelos cremosos, batatas, tomates e salada verde. Atenção para o menu executivo: por 12,50 euros, você almoça a galette salgada, um crepe doce e uma bebida. Voilá!

 

Tartare de pato com maçã: uma das surpresas do Pirouette

Tartare de pato: uma das surpresas do Pirouette

Pirouette (5, rue Mondétour) – Dica certeira do chef Raphael Despirite (Marcel), esse restaurante foi uma das melhores surpresas de toda a viagem. Fica numa das ruazinhas de Les Halles e é comandado pelo chef Tommy Gousset, discípulo de Daniel Boulud e Yannick Alléno, que pratica uma cozinha inventiva, fresca, saborosa e, principalmente, acessível: o almoço sai por 18 euros (entrada + prato principal). As sobremesas giram em torno de 12 euros e a oferta de vinhos tem boas opções.

 

pirouette2Porém… sem reserva, nem pensar. Cheguei lá quase 14 horas achando que ia rolar e acabei reservando ao vivo mesmo, pro dia seguinte. Meu menu: tartare de pato, com vinagrete de framboesa, maçã verde e rabanete (adorei, mas me arrependi de não ter provado o ovo perfeito com champignons) e no principal suculentos cubos de alcatra com cuscuz de quinoa, passas brancas e pepino.

 

pirouette3A sobremesa-estrela do lugar é o Riz au lait, um tipo de arroz doce, com manteiga de caramelo e sal, amêndoas e avelãs confeitadas (10 euros). Adorei tudo: a comida, o serviço preciso, o ambiente arejado, a localização charmosa. Pena que almocei ali só no meu último dia em Paris, senão teria voltado ao Pirouette pelo menos para jantar.

 

Os maravilhosos macarons gordinhos da Pierre Hermé

Os maravilhosos macarons gordinhos da Pierre Hermé

Macaron – não dá pra ir a Paris e não provar essa guloseima típica da França. O doce beira a perfeição. A massa, uma espécie de merengue feita com claras, açúcar e amêndoas, é crocante, mas ao mesmo tempo macia e não esfarela na primeira mordida. O recheio, geralmente um ganache à base de chocolate e/ou frutas, confere untuosidade e sabor à combinação. A marca de macaron mais famoso é a Ladurée, que tem várias lojas espalhadas por Paris, inclusive um quiosque no aeroporto. Cada mini macaron custa 1,90 euros e tem muitos sabores (adorei o de flor de laranjeira). Mas o melhor macaron, pra mim, é o Pierre Hermé. São mais gordinhos, mais recheados, mais macios e mais gostosos. E mais caros: R$ 2,10 cada. Mas vale muito a pena. E os sabores são demais: rosas; tangerina e azeite, hocolate ao leite, gengibre confit, banana e maracujá; trufa branca com avelã…

 

robert carneRobert et Louise (64 Rue Vieille du Temple) – Dica quentíssima do chef Erick Jacquin (La Cocotte), esse restaurante de assados é uma pequena jóia no Marais. Pequena mesmo: estávamos em três e dividimos uma mesa grande com outros clientes, bem pertinho do fogo à lenha. Sem erro: o local tem um clima tão despojado e simpático que até inspira essa proximidade. A especialidade da casa são as carnes, que saem da grelha no ponto perfeito, mas também provei o confit de pato e estava uma delícia. A estrela da casa é a costela bovina para dois ou três (pedimos pra dois, 44 euros, e sobrou), acompanhada de batatas e salada.

robert campagneA costela vem perfeitamente selada, crocante ao redor, com aquele leve gosto de chamuscado. A carne é quase cremosa de tão macia, num inspirador degradé de rosa a vermelho vivo, suculenta e sem aquela piscina de sangue a cada corte. Não deixe de pedir o tremendo patê de campagne na entrada.

robet bruleecreme brûlée é uma das sobremesas que recomendo (a torta de limão também estava muito boa). A conta, com vinho e tudo, saiu 50 euros cada. Valeu cada centavo. Ah, nem pense em ir sem reserva.

 

mil folhasChamps Elysées – Visitou o Arco do Triunfo? Tirou bastante foto? Agora desça uma das avenida mais bonitas de Paris em direção à Place de la Concorde (onde está um obelisco egípcio). O caminho é lindo, todo arborizado. Ali também ficam lojas de grife como Lacoste e Louis Vuitton, além de galerias, cinemas etc. Vale uma parada para um almoço rápido na Maison Pradier (84 Avenue de Champs Elysées). Fica na galeria em que está a H&M, é um quisque com bancos ao redor, lotado de doces lindos. Tem também formule midi (menu de almoço) por menos de 15 euros, com prato ou sanduíche, bebida e doce. Fui de mil-folhas e adorei.

 

cafe campanaMuseus – Paris tem muitos (e ótimos) museus. Mas andar por todos eles cansa. Pra não ficar mal humorado nem fazer tudo correndo e deixar de ver obras legais, dê um tempo no meio do passeio pra sentar, tomar uma café, relaxar e comer alguma coisa. Todos museus tem cafés e até restaurantes. O melhor é o Café Campana, no museu d’Orsay (aliás, um dos museus mais legais de Paris). O espaço, localizado no último andar, junto ao terraço, foi projetado pelos designers brasileiros irmãos Campana, que se inspiraram em 20 Mil Léguas Submarinas pra criar o ambiente.

baba irmao campanaAlém de lindo e arrojado, o café tem um menu acessível (pratos ao redor de 15 euros) e um excelente baba ao rum (7,20 euros), servido em verrines (copos). Ah, e o café espresso é bom e custa 2,70 euros – quase metade do café do Centro Pompidou, onde fui esfolado em 5 euros por um cafezinho. O restaurante no topo deo prédio é lindo e tem uma vista privilegiada, mas é caro demais. No caso do Louvre, não se abale: vá de manhã, ande o máximo que puder, saia pra almoçar (ali mesmo tem uma praça de alimentação, se não quiser ir longe) e volte com o mesmo ingresso pra ver mais obras: acredite, passei quase 5 horas lá e ainda faltou muita coisa pra ver.

 

 

 

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