(Guloseimas com sotaque francês na Rua Augusta) A CASA FECHOU

milfolhasCansaram de me ouvir falar em Paris? Pois hoje vou falar de um lugar que me lembrou a capital francesa, mas que fica mesmo em plena Rua Augusta, no coração dos Jardins. Trata-se da Amorim Chérie, um misto de bistrot e pâtisserie aberto em 2011 pela chef Flávia Amorim – e que eu, por uma falha imensa, ainda não conhecia. Acabei indo duas vezes no último mês. A simpática casa tem fortes sotaque francês no menu e no ambiente, criado pela irmã da chef, Juliana Amorim. Me lembrou muito a pâstisserie Waïda et Fils, em Reims, sobre a qual falei aqui.

 

tartelete

Mini tartelete de framboesa e mirtilos

O forte da casa são os doces, com 35 opções entre macarons (R$ 5) e tarteletes (R$ 5) de sabores variados. O destaque é o imponente mil-folhas com calda de frutas vermelhas (R$ 22), montado na hora, com creme levíssimo e massa que derrete na boca. Agora há versão ainda maior desse mil-folhas com calda e recheado com frutas vermelhas (R$ 34) – e obviamente foi o que comi, porque né, o moço aqui é guloso. Humpf!

croqueMas não se engane: o cardápio de salgados não fica nada atrás dos doces. Os itens são preparados pelo chef Valter Roza e incluem quiches (R$ 12), crepes (como o de frango com mostarda dijon, por R$ 30,50) e o arquitetônico croque monsieur (R$ 34): uma pequena edificação com seis andares de pão, queijo gruyere, presunto e molho bechamel, tudo gratinado. Se pedir a versão madame (R$ 36), ainda vem um ovo estalado por cima. Ambos com saladinha. (Sim, eu pedi um desses…)

 

ovos

O melhor item do menu, no entanto, são os ovos ao forno, com torradas e salada (R$ 44,90). Minha companheira de mesa teve a felicidade de pedir os ovos com queijo de cabra e tomatinhos e me deixou experimentar. Na hora me apaixonei pela mistura bem quente e cremosa dos ovos com o queijo derretido. A outra versão traz leva calabresa, molho de tomate de manjericão. Aguei só de lembrar. A casa também oferece almoço executivo por R$ 40, incluindo entrada, prato e sobremesa.

Amorim Chéri – Rua Augusta, 2321, Jardins, tel. (11) 3061-3283, www.amorimcheri.com.b
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Holy Burger abre hoje, mas já provei e adorei

Saint Gorgon: uma das estrelas do novo Holy Buger

Saint Gorgon: uma das estrelas do novo Holy Buger

Ontem interrompi uma dieta (não riam, eu faço dieta de vez em quando!) por uma nobre razão: provar o hambúrguer do meu querido Gabriel Prieto, companheiro de jornadas gastronômicas há uns bons 7 anos. Explico: Gabriel é sócio de uma nova casa de hambúrguer da cidade, o Holy Burger, que abre hoje em Santa Cecília (na mesma rua do meu querido Tabuleiro do Acarajé). O Holy existe há um ano, surgiu de um projeto social de Gabriel e alguns amigos, ganhou fama em eventos como Feirinha Gastronômica,  agora ganhou endereço próprio e virou hamburgueria.

IMG_7658A pequena casa (26 lugares), com estilo rústico, lembra um pub irlandês, com ambiente simpático e um balcão que segue por quase todo o salão. Os burgers? São seis opções, todos de 160 g, e acompanhamentos variados. Provei o Saint Gorgon (R$ 25), uma feliz combinação de gorgonzola, cebolas caramelizadas e apimentadas, folhas crocantes de agrião e maionese caseira, com pão preto (muito gostoso e macio). A carne (uma mistura de peito, acém e costela) veio no ponto certo, suculenta e saborosa.

 

IMG_7677Aliás, com exceção dos pães, tudo é feito na casa, inclusive a docinha pink lemonade (R$ 8), que repousa em um enorme garrafão atrás do balcão, marinando folhas de hortelã. Provei também as fritas rústicas (R$ 12), com maionese temperada da casa, mas ainda quero experimentar as onion rings (R$ 18). Entre as outras opções de burguer, tem desde o cheese burger (R$ 19), que vem com um pouco de molho de tomate; passando pelo Original (R$ 25), com bacon e cheddar; até o Jelly (R$ 23), com queijo brie e geléia de frutas vermelhas (feita ali). Ah, também tem um vegetariano (R$ 15), de abobrinha, cenoura e cebola roxa, com cogumelos salteados e picles, no pão de grãos.

 

Gabriel e seus hambúrgueres

Gabriel e seus hambúrgueres

O Holy também tem uma carta com 15 rótulos de cervejas nacionais e importadas, e duas sobremesas: pudim de leite condensado na latinha (R$ 12) e cheesecake com calda de frutas vermelhas (R$ 12) – mas infelizmente ontem não estavam servindo. Ou seja… terei de voltar! Oh sacrifício… Ah, durante a semana, o Holy abre só à noite, a partir das 18h, e meio-dia aos sábados.

 

Decór rústico, com toques divinos: afinal, é Holy!

Decór rústico, com toques divinos: afinal, é Holy!

Holy Burger R. Dr. Césario Mota Jr., 527, Sta. Cecília, tel. (11) 4329-9475

Vinho português promove festival com degustação

Tagliatelle com camarões, lula e polvo, do Sensi: a taça de vinho é cortesia

Tagliatelle com camarões, lula e polvo, do Sensi: a taça de vinho é cortesia

A gente gosta de vinho, certo? Errado, a gente ADORA vinho, ainda mais acompanhado de boa comida. Essa é a ideia do Festival Aveleda, vinho português trazido ao Brasil pela Interfood. Até dia 7 de dezembro, 14 restaurantes de São Paulo, Campinas e São Roque darão uma taça do Aveleda Alvarinho para clientes harmonizarem com os destaques de seus menus, de entradas a pratos principais. Como o Tagliatelle ai frutti di mare (R$ 52), do Sensi (Rua Gabriele D’Annunzio, 1345, Campo Belo, tel. (11) 2478 5099), com camarões, lula, polvo, tomate fresco, ervas, pimenta biquinho e vinho branco; ou a saladinha de feijão fradinho e bacalhau (R$ 25), do Bacalhoeiro (Rua Azevedo Soares, 1.580, Tatuapé, tel.(11) 2293 1010). Mas fique ligado: o festival com a taça cortesia vai só até dia 7!

La Maison est Tombée recebe convidados pra celebrar seus 2 anos

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Robusto, o delicioso drinque do Marcelo Serrano pra comemorar o aniversário do La Maison est Tombée

Pode beber logo na segunda-feira? Pode sim! Para comemorar seus dois anos de atividade, o bar La Maison est Tombée convidado chefs e bartenders toda segunda no mês de novembro. Na semana passada, por exemplo, além do menu habitual da casa (que tem um maravilhoso pão de queijo recheado com pernil ou com ragu de linguiça), a casa serviu bolinho de mandioca, recheado com requeijão e camarões, da chef Carla Pernambuco (Carlota) e dois drinques do Alex Mesquita, do Paris Gastrô, no Rio. O meu preferido foi o Private, com Tenqueray Ten, Aperol, Suco de grapefruit, suco de limão, gotas de maple.

 

Bolinhos de camarão da Carla Pernambuco

Bolinhos de camarão da Carla Pernambuco

Hoje acontece a última festa, a partir das 19 h. O petisco é o Cuscuz Caipira (R$ 29) do chef Rodrigo Oliveira (Mocotó), um mini cuscus de milho com linguiça, frango e legumes. Já os drinques ficam a cargo de um craque da coquetelaria, o mixologista Marcelo Serrano (Brasserie des Arts e Satay). São dois: Robusto (R$ 26), com Amaretto, licor de apricot, maple syrup, grappa tagliatella, suco de limão siciliano, purê de pêssego; e Wild Wild West (R$ 28), com bourbon wild turkey, suco de laranja, xarope de pomegranate, suco de limão siciliano, zulu orange bitter. Mas é só hoje, ok?

La Maison est Tombée – R. Jerônimo da Veiga, 358, Itaim Bibi, tel. (11) 3071-2926, www.maisontombee.com.br

Obá promove Festival Tailandês das Luzes até dia 30

loi oba costelaE por falar em Festival, já está rolando no Obá a celebração do Loi Krathong, o festival tailandês das luzes, que homenageia a deusa das águas Phra Mae Khongkha. O evento no Obá vai do dia 20 até 30 de novembro, quando, além do menu original, o restaurante serve pratos preparados pelo chef Henrique Benedetti especialmente pro festival. Como a entrada costelinha de porco doce (R$ 29), preparada em uma marinada tradicional adocicada e servida com relish de manga, alho frito e pimenta, como vocês podem ver na foto acima (como todas deste post, tiradas pelo Lucas Terribili)

 

loi oba ostraOutra entrada que me assanhou a gula foram as ostras com curry verde (R$ 32), que vêm levemente aquecidas em pasta de curry e servidas ensopadas em sua concha com coentro, cebolinha roxa e folhas de limão kaffir.

 

loi oba arrozEntre os pratos principais, sugiro o Kao pad gung moo grob (R$ 52), arroz frito na wok com mix de vegetais crocantes, camarão e torresmo – tem também a versão menor (R$ 36,50) e a vegetariana (R$ 45).

Ah, dia 27 vai rola o Obá na Calçada, das 18h às 21h, que terá o chef Maurício Santi como convidado. E tem mais: além da decoração temática com motivos tailandeses preparada pelo sócio e arquiteto Carlos Tavares, os clientes poderão sentir o clima da festa tailandesa mais de perto, deixando suas oferendas com velas no espelho d’água da entrada da casa, atraindo assim boas vibrações para o final de ano.

Obá – Rua Melo Alves, 205, Jardins, tel. (11) 3086-4774, www.obarestaurante.com.br

Aperol Spritz: receita do drinque mais refrescante da vida

aperolOk, eu me rendo ao calor e a esse tempo abafado. Tenho resfriado até cabernet sauvignon pra não parecer vinho quente de quermesse. O que tem rolado muito em casa é Aperol Spritz. Ok, está longe de ser uma novidade, mas estou pra ver drinque mais refrescante, versátil e fácil de preparar. E nem venha com o mimimi “Ah, mas nem sei onde compra Aperol…” Qualquer supermercado (Pão e Açúcar, Carrefour, Walmart, Zaffari, Extra) tem. A garrafa custa uns R$ 30 e rende vários drinques. E só juntar com água gasosa e espumante (eu prefiro brut, mas fiz uma receita com Chandon Riche demi sec ou com Chandon Passion e o toque adocicado foi muito bem-vindo).  Bora fazer?

Aperol Spritz

Ingredientes
3 doses de espumante
2 doses de Aperol
1 dose de água com gás
1 rodela de laranja
gelo

Modo de fazer
Em um copo alto e largo, coloque o espumante, seguido do Aperol e do gelo. Complete com a água gasosa e adicione a rodela de laranja. Nossa, que difícil, hein?

Festival de culinária paulista tem pratos de até R$ 15

RojãoFicou em SP nesse feriadão sem sol? Passa no Parque Villa Lobos que até amanhã estará rolando o 2º Festival Gastronômico Sabor de São Paulo. Desde fevereiro, evento já percorreu o interior e litoral do estado e traz pratos da cozinha paulista, feitos por mais de 60 estabelecimentos em 15 cidades. Todos os pratos custam até R$ 15. Por exemplo, tem o Rojão (na foto), famoso espeto de carne suína da Casa de Carne Balaio, de Ribeirão Grande; o nhoque ao creme e ragu com pinhão, do Gustattori Confort Food, de São Carlos; e o hot dog maçaricado do Friend’s Dog, de Paraguaçu Paulista. Além dos estandes de comida, há shows musicais e barracas de produtos orgânicos. O evento acontece dias 22 e 23 de novembro, ou seja, hoje e amanhã, das 11h às 19h.

Parque Villa Lobos – Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001, Alto de Pinheiros, www.sabordesaopaulo.com.br

 

Receitas fáceis de panqueca de maçã verde e pão de queijo com tapioca

Screen Shot 2014-11-14 at 12.00.22 PMOntem participei de uma aula diferente, organizada pela Le Creuset (a famosa marca francesa de panelas de ferro esmaltado e utensílios coloridos): como fazer guloseimas de café da manhã. A aula aconteceu no restaurante Capim Santo e foi ministrada pela própria chef Morena Leite. “O café da manhã é uma das refeições mais importantes lá em casa; é quando eu tenho tempo de ficar à mesa com minha filhinha”, contou a chef. Bem, entre tigelas, frigideiras e vasilhas, eu e outros blogueiros/jornalistas preparamos três receitas, muito rápidas e práticas. Vou dar duas aqui: a panqueca de maçã verde com iogurte e o pão de queijo com tapioca. Mão na massa!

 

Bancada colorida com esse monte de Le Creuset

Bancada colorida com esse monte de Le Creuset

Panqueca de maçã verde com iogurte
(rendimento: 10 porções)

Ingredientes
1 pote de iogurte natural
2 ovos
2 colheres de sopa de manteiga amolecida
2 colheres de sopa de açúcar
½ colher de sopa de raspas de limão
1 xícara de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa rasa de fermento em pó
1 maçã verde ralada (com casca, sem sementes)
1 pitada de sal

Modo de fazer
Em uma tigela, misture o iogurte com os ovos. Acrescente a manteiga, o açúcar, as raspas de limão, a maçã ralada e mexa bem.
Aos poucos, incorpore a farinha de trigo, fermento e sal, até obter uma massa homogênea. Se estiver mole demais, coloque um pouco mais de farinha de trigo (mas não exagere, senão fica massuda).
Aqueça uma frigideira (a nossa era Le Creuset, mas pode ser qualquer uma antiaderente) untada com um fio de óleo ou uma colher de chá de manteiga. Despeje pequenas porções da mistura, para formar um círculo “gordinho”.
Aguarde alguns minutos até que comece a dourar e desgrudar do fundo da frigideira para virar e dourar do outro lado. Um truque: quando a massa começa a fazer bolhinhas, é hora de virar. Sirva a panqueca com mel, xarope de bordo, nutella ou docd de leite, guarnecida com frutas picadas.

 

IMG_7280Pão de queijo com tapioca
(rendimento: 28 porções)

150 ml de leite
100 g de tapioca granulada
200 g de polvilho doce
50 ml de azeite de castanha do Pará
150 g de queijo Serra da Canastra ralado
3 ovos
5 g de sal (ou o quanto basta)

 

Modo de fazer
Primeiro, hidrate a tapioca no leite por uns 15 minutos, ou até que os grãos assimilem o líquido. Misture os ovos, o sal, o queijo e o polvilho. Adicione o azeite e mexa até obter a massa homogênea.

Com a véia Katsuki, preparando as guloseimas

Com a véia Katsuki, preparando as guloseimas

Ela deve ter a consistência para você fazer bolinhas com as mãos. Caso esteja ainda mole, coloque um pouquinho mais de polvilho ou leve à geladeira por meia hora, para a massa firmar.
Unte levemente uma assadeira com manteiga (sem excesso, senão o pão de queijo absorve a gordura) e vá fazendo bolinhas com as mãos untadas e colocando na assadeira, mantendo uma distância razoável umas das outras (não se esqueça que o pão de queijo cresce). Asse em forno médio pré-aquecido por uns 20 minutos, ou até dourar. Está pronto!

 

Capim Santo – R. Ministro Rocha Azevedo, 471, Jardins, tel. (11) -3068-8486, ww.capimsanto.com.br
Le Creuset Brasilhttp://www.lecreuset.com.br

Aconchego Carioca SP faz 2 anos e lança cerveja exclusiva

electraE o premiado bar Aconchego Carioca comemorou dois anos de São Paulo – a matriz, no Rio, já tem 12 anos. Desde que surgiu, chamo o local de “paraíso dos bolinhos”, por causa das excelentes criações da chef Kátia Barbosa (bolinho de feijoada, de virado à paulista, almofadinha de tapioca com camarão e por aí vai). Mas o Aconchego também se destaca, e muito, pela poderosa carta de cervejas, obra do especialista e sócio do bar, Edu Passarelli. Nada mais justo, portanto, que a casa celebre esses dois anos lançando seu próprio rótulo: Electra. A cerveja, produzida pela Bamberg, com exclusividade para o Aconchego, é uma vienna larger, de coloração âmbar, com amargor leve, notas de malte e sabor tostado no final. O nome faz referência ao avião que fazia a ponte aérea Rio-SP, caminho percorrido pelo próprio bar em 2012, e o rótulo super retrô foi criado pelo André Clemente. A Electra é vendida em garrafas de 600 ml por R$ 21.

jiloEu adorei a cerveja e já levei uma para casa, onde abri num almoço de domingo e vi desaparecer em segundos. Minha sugestão, se você for toma-la no próprio Aconchego Carioca, melhor se chegar à mesa  acompanhada com um dos bolinhos (claro!) ou com uma das surpresas do menu: jiló fatiado, na conserva de balsâmico, mel e alecrim, com bolinhas de queijo de cabra e torradinhas. Bem mais leve que os bolinhos (fritura, gente!) e bastante saboroso. Ou peça os dois, como eu fiz.

Screen Shot 2014-11-11 at 5.49.25 PMOK, não vou negar que comi vários bolinho de virado à paulista (ótima harmonização com a Electra), mas pirei mesmo na almofadinha de tapioca recheada com camarão (ao fundo, o famigerado bolinho de feijoada e torresmo).

palitos coalhoO encosto da obesidade bateu forte nessa noite, e encerrei com a sobremesa mais incrível do Aconchego Carioca: palitos fritos de queijo coalho com goiabada pedaçuda. Não tenho mais jeito mesmo, fazer o quê?

Aconchego Carioca SP Alameda Jaú, 1372, Jardins, tel. (11) 3062-8262.

O incrível banquete-manifesto que celebra a cultura brasileira

sonhoOntem participei de um dos jantares mais legais que já fui. Jantar não – trata-se mesmo uma experiência de imersão gastronômica. É o Como Penso Como, evento criado pela designer Simone Mattar, que reúne culinária, história, música, poesia e, claro, design. O banquete acontece na Casa Eletrolux, numa sala de jantar preta, com paredes de back light e projeções de luz sobre a mesa, e funciona como um relógio: as nove etapas do jantar são intercaladas com cantigas interpretadas ao vivo, atores declamando textos sobre a cultura brasileira e um jogo de sombras chinesas ao fundo.

cantoTá, mas e a comida, vale? Sim, e muito: os pratos deliciosos são obras de arte comestíveis, que abordam momentos históricos e culturais do Brasil. Como o sensacional Sonho Real, inspirado no Baile da Ilha Fiscal, o último do Império no Brasil: numa almofade de porcelana biscuit, repousa placidamente um sonho recheado com brandade de bacalhau, com uma coroa feita de telha de alho. Ou seja, o derradeiro anseio do império de impedir os ventos republicanos acabou mesmo num sonho… salgado.

 

luminariaO respasto-manifesto já começa surpreendendo com o prato Grande poder, baseado na culinária indígena do Norte do país. Um bloco de madeira traz um macio bolinho de tacacá (que lembra um moti), uma cumbuquinha com pato curado no tucupi e uma luminária cuja cúpula, feita de mandioca crocante, é comestível.

sardinhaOutro prato incrível é o Cabeça de Bispo, que recupera a história do Bispo Sardinha, devorado pelos índios Caetés. Assim, chegam à mesa cabecinhas prateadas do Bispo, feitas com mousse de sardinha e molho oriental, em cima de uma crostata cinza. Ao lado, vem o manifesto de Simone impresso em uma folha de açaí. Pra comer tudo e lamber os dedos.

 

obiO candomblé traz a tônica desse Oludumaré: são três bolinhos de massa de farinha de arroz e leite de coco, cada dedicado a um orixá. O de Iemanjá é recheado com peixe, camarão e flor de alho; Ogum ganha um bolinho de quiabo e vinho de palma; e bolinho de falo capão com pimenta biquinho pra Exu. No centro, a surpresa: uma esfera transparente (e comestível), com uma fumaça aromatizada de canela, cravo e casca de obi, sobre um acaçá de milho branco e limão. É só quebrar a bolha e sentir o aroma das preces sendo liberadas.

 

mandacaruPeripécias de bode no reino dos bacanas é o prato que homenageia Lampião e Glauner Rocha, e é o mais bonito de todos: uma marmita de alumínio em forma de mandacaru traz paleta de bode glaceada, arroz cateto, jerimum, queijo colaho e manteiga de garrafa. Tudo em cima de uma pedra que remente à carne sexa, com farofa de paçoca e geléia de figo da índia.
ossoFechando os pratos salgados está esse mimo, chamado Ossos do ofício: são ossos esculpidos, que lembram marfim, com barriga de porco crocante, purê de cítricos, picles e flores comestíveis. As esculturas ósseas são executadas por mulheres de uma comunidade chamada Jardim (MS) e deu vontade de levar pra casa!
bananaNão podia faltar Carmen Miranda nesse banquete brasileiro. A preço de banana é a primeira sobremesa: em cima de uma escultura de porcelana linda, está uma mousse de chocolate branco caramelizado, recheado com doce de banana, por cima de uma fatia de queijo da canastra.
pombaA influência do catolicismo e a festa do Divino Esírito Santo aparecem nesse Conflito: a festa do divino. Uma pomba da paz, cercada de nomes de locais onde há guerras, cospe o fogo, uma mousse de chocolate com pimenta e crocante de araçá. Detalhe: o desenho do prato é de chocolate, e você pode lamber para “apagar” o conflito.

amorFinalmente, Tabuleiro brasileiro traz as memórias de quitutes da infâncias de todos nós. Como a paçoquinha (aqui apresentada numa embalagem comestível, feita de folha de coco) ou a goiabada (envolta em papel de goiaba) bala de jabuticaba e doce de graviola em forma de renda. Junto com um cafezinho, claro.
mesaComo eu disse, um verdadeiro banquete de cultura brasileira, que já havia feito sucesso no SESC Pompeia em 2013. Tudo isso, harmonizado com vinhos, sai R$ 250 por pessoa. São dois jantares por dia. Às 18h30 e às 21h30, até domingo, dia 16. A má notícia: já estão todos esgotados. A boa notícia: a organização está tentando fechar mais quatro jantares. Se der sorte, compre o seu no site do Ingresso Rápido e se jogue no manifesto festivo da Simone Mattar.

Casa Eletrolux – Rua Colômbia, 157, Jardim América.