O incrível banquete-manifesto que celebra a cultura brasileira

sonhoOntem participei de um dos jantares mais legais que já fui. Jantar não – trata-se mesmo uma experiência de imersão gastronômica. É o Como Penso Como, evento criado pela designer Simone Mattar, que reúne culinária, história, música, poesia e, claro, design. O banquete acontece na Casa Eletrolux, numa sala de jantar preta, com paredes de back light e projeções de luz sobre a mesa, e funciona como um relógio: as nove etapas do jantar são intercaladas com cantigas interpretadas ao vivo, atores declamando textos sobre a cultura brasileira e um jogo de sombras chinesas ao fundo.

cantoTá, mas e a comida, vale? Sim, e muito: os pratos deliciosos são obras de arte comestíveis, que abordam momentos históricos e culturais do Brasil. Como o sensacional Sonho Real, inspirado no Baile da Ilha Fiscal, o último do Império no Brasil: numa almofade de porcelana biscuit, repousa placidamente um sonho recheado com brandade de bacalhau, com uma coroa feita de telha de alho. Ou seja, o derradeiro anseio do império de impedir os ventos republicanos acabou mesmo num sonho… salgado.

 

luminariaO respasto-manifesto já começa surpreendendo com o prato Grande poder, baseado na culinária indígena do Norte do país. Um bloco de madeira traz um macio bolinho de tacacá (que lembra um moti), uma cumbuquinha com pato curado no tucupi e uma luminária cuja cúpula, feita de mandioca crocante, é comestível.

sardinhaOutro prato incrível é o Cabeça de Bispo, que recupera a história do Bispo Sardinha, devorado pelos índios Caetés. Assim, chegam à mesa cabecinhas prateadas do Bispo, feitas com mousse de sardinha e molho oriental, em cima de uma crostata cinza. Ao lado, vem o manifesto de Simone impresso em uma folha de açaí. Pra comer tudo e lamber os dedos.

 

obiO candomblé traz a tônica desse Oludumaré: são três bolinhos de massa de farinha de arroz e leite de coco, cada dedicado a um orixá. O de Iemanjá é recheado com peixe, camarão e flor de alho; Ogum ganha um bolinho de quiabo e vinho de palma; e bolinho de falo capão com pimenta biquinho pra Exu. No centro, a surpresa: uma esfera transparente (e comestível), com uma fumaça aromatizada de canela, cravo e casca de obi, sobre um acaçá de milho branco e limão. É só quebrar a bolha e sentir o aroma das preces sendo liberadas.

 

mandacaruPeripécias de bode no reino dos bacanas é o prato que homenageia Lampião e Glauner Rocha, e é o mais bonito de todos: uma marmita de alumínio em forma de mandacaru traz paleta de bode glaceada, arroz cateto, jerimum, queijo colaho e manteiga de garrafa. Tudo em cima de uma pedra que remente à carne sexa, com farofa de paçoca e geléia de figo da índia.
ossoFechando os pratos salgados está esse mimo, chamado Ossos do ofício: são ossos esculpidos, que lembram marfim, com barriga de porco crocante, purê de cítricos, picles e flores comestíveis. As esculturas ósseas são executadas por mulheres de uma comunidade chamada Jardim (MS) e deu vontade de levar pra casa!
bananaNão podia faltar Carmen Miranda nesse banquete brasileiro. A preço de banana é a primeira sobremesa: em cima de uma escultura de porcelana linda, está uma mousse de chocolate branco caramelizado, recheado com doce de banana, por cima de uma fatia de queijo da canastra.
pombaA influência do catolicismo e a festa do Divino Esírito Santo aparecem nesse Conflito: a festa do divino. Uma pomba da paz, cercada de nomes de locais onde há guerras, cospe o fogo, uma mousse de chocolate com pimenta e crocante de araçá. Detalhe: o desenho do prato é de chocolate, e você pode lamber para “apagar” o conflito.

amorFinalmente, Tabuleiro brasileiro traz as memórias de quitutes da infâncias de todos nós. Como a paçoquinha (aqui apresentada numa embalagem comestível, feita de folha de coco) ou a goiabada (envolta em papel de goiaba) bala de jabuticaba e doce de graviola em forma de renda. Junto com um cafezinho, claro.
mesaComo eu disse, um verdadeiro banquete de cultura brasileira, que já havia feito sucesso no SESC Pompeia em 2013. Tudo isso, harmonizado com vinhos, sai R$ 250 por pessoa. São dois jantares por dia. Às 18h30 e às 21h30, até domingo, dia 16. A má notícia: já estão todos esgotados. A boa notícia: a organização está tentando fechar mais quatro jantares. Se der sorte, compre o seu no site do Ingresso Rápido e se jogue no manifesto festivo da Simone Mattar.

Casa Eletrolux – Rua Colômbia, 157, Jardim América.

 

 

 

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