Receita de cotton cheesecake japonês

cotton2Sabe aquele bolo beeem fofo e alto, que até mexe quando você balança e tem uma textura de nuvem na boca? Pois é, este é o cotton cheesecake, uma famosa sobremesa japonesa que sempre me despertou a curiosidade. Fui atrás da receita e descobri que não é exatamente difícil de fazer o bolo – apenas tem de tomar alguns cuidados na hora de batê-lo e, principalmente, na hora de assar. Já fiz três vezes e cada uma ficou melhor que a outra, mas certamente ainda irei aprimorar a arte de fazer esse cotton cheesecake. Bora tentar?

 

cotton1Cotton Cheesecake Japonês

Ingredientes
200 g de cream cheese (NÃO use o light)
4 colheres de sopa (ou 50 g) de manteiga sem sal
½ xícara de leite integral
7 gemas
8 claras
1 col. de chá de extrato de baunilha
Suco de ½ limão (prefiro o siciliano)
1 col. de sopa de raspas de limão (opcional)
2/3 xícara de farinha
¼ xícara de maisena
½ col. de chá de sal
¼ col. de chá de cremor de tártaro (ou 1 col. de chá de suco de limão)
1 xícara de açúcar
Açúcar de confeiteiro (para finalizar)

Modo de fazer
Unte uma assadeira redonda de 22 cm. Cubra o fundo com um disco de papel manteiga. As laterais da forma também têm de ser revestidas com uma tira larga de papel manteiga, com uns 9 cm de altura, porque essa massa cresce muito e não pode trasbordar. Pré-aqueça o forno a 200ºC.
Numa panelinha em fogo médio-alto, adicione o cream cheese, a manteiga e o leite até obter uma mistura homogênea – não deixe ferver!. Desligue o fogo e deixe esfriar por uns 5 a 10 min.
Numa vasilha grande, misture com um fouet ou espátula as gemas, a baunilha e o suco de limão (e as raspas, se decidir usar). Mas não bata, só misture bem. Daí incorpore a mistura de cream cheese da panelinha e , aos poucos, a farinha peneirada e o amido de milho (maisena), também peneirada, até ficar bem homogêneo.
Numa batedeira, adicione as claras, o sal e o cremor de tártaro (ou limão) e bata bem. Quando as claras estiverem bem encorpadas, adicione o açúcar, sem parar de bater, até atingir a textura de claras em neve, com picos.
Agora é hora de finalizar a massa. Misture 1/3 das claras à massa, delicadamente, sem bater, apenas incorporando as claras do meio para as beiradas com uma espátula. Faça isso duas vezes, até que todas as claras já estejam misturadas à massa. Despeje na forma, dê umas três batidinhas na forma (para não deixar bolhas) e é hora de levar ao forno.
Importante: esse bolo não pode assar diretamente na grelha do forno. Tem de ser em banho-maria. Então, coloque a forma redonda com a massa dentro de uma outra forma maior e despeje água quente até atingir uns dois dedos da forma redonda.

cotton3
Deixe assar assim por meia hora. Daí diminua o forno para 180ºC e deixe assando por cerca de uma hora. Não tenha medo: como está em banho-maria, o bolo dificilmente queimará. Ele tem de crescer bem e ficar com uma tom castanho na “cúpula” – enquanto as laterais e o fundo ficam com um bonito amarelo-dourado.
Teste com um palito para ver se o bolo assou por dentro – o palito deve sair seco. Tire do forno, cubra com um pano e deixe dar uma esfriada de 10 a 15 min. Desenforme ainda quente, virando sobre a palma da sua mão (cubra com um pedaço de papel manteiga), tirando a forma e os papeis, e virando de volta numa base ou num prato grande.
Está pronto! Pasta peneirar o açúcar de confeiteiro por cima e comer. Eu adoro provar ainda quente, e depois frio, para sentir a diferença. Pode adicionar geleia ou calda de frutas, se quiser. Eu prefiro puro mesmo. Arigatô!

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Aizomê provome feira gastronômica amanhã – e você não pode perder

Bolo soufflé com trufa ao conhaque e pérolas de caramelo salgado, da Vivianne Wakuda: uma das delícias da feira

Bolo soufflé com trufa ao conhaque e pérolas de caramelo salgado, da Vivianne Wakuda

Já tem programa pra amanhã (sábado, dia 12)? Então mude de planos e siga essa dica: das 11h às 16h vai rolar a primeira Aizomê Ichiba, feira gastronômica promovida pela chef Telma Shiraishi, no estacionamento do seu restaurante, o ótimo Aizomê. A chef servirá iguarias japonesas (claro!), como sashimis e sushis feitos com uma remessa de atum de classificação especial de Recife (PE), além de itens com outros pescados e receitas quentes. Telma convocou outros chefs e parceiros para ampliar a variedade da feirinha. Assim, vai ter os doces maravilhosos da chef Vivianne Hitoma Wakuda, como esse bolo soufflé Callebaut 54% cacau, chantilly, trufa ao conhaque e pérolas de caramelo salgado (sem contar seu excelente choux cream), os temperos e pães da Marisa Tiemi Ono (com 8 a 12 horas de fermentação), saquês selecionados por Alexandre Tatsuya, da Adega do Sake (primeiro e único sake samurai do Brasil), os chás maravilhosos e super aromáticos d’A Loja do Chá, da Carla Saueressig e sorvetes da Gelato Boutique.

Me diz agora: não é caso de mudar qualquer plano só pra ir nessa feirinha? Eu vou.

Aizomê Ichiba – Al. Fernão Cardim, 39, Jardim Paulista, tel. (11) 3251-5157.

UN, um ótimo destino para os fãs de comida japonesa

O ótimo sushi de vermelho, com limão cravo, criação do chef Tadashi Shiraishi no novo UN

O ótimo sushi de vermelho, com limão cravo, criação do chef Tadashi Shiraishi no novo UN

Dica boa pra esse feriadão: depois uma longa temporada fora do Brasil, o chef Tadashi Shiraishi voltou ao país e abriu na última terça uma nova casa, o UN (prefixo de unmei, que significa destino em japonês). Aliás, um belíssimo restaurante, com projeto moderno, quase brutalista, com iluminação baixa, equilibrado pela madeira e pelo pé de bambu no meio do salão. O ambiente combina muito com a noite e, com efeito, a casa só abre para o jantar, de segunda a sábado – este o único dia da semana em que o UN serve almoço.

02chef tadashi

O chef Tadashi Shiraishi finaliza o salmão tataki no balcão.

Bem, o que importa mesmo é a comida que sai da cozinha e do balcão (este bem iluminado), e aí o UN diz realmente a que veio. Depois de trabalhar com grandes nomes da cozinha japonesa em São Paulo, como Tsuyosi Murakami (do Kinoshita), o chef Shiraishi passou três anos como sushi chef do Nobu (do renomado chef Nobu Matsuhisa) de Mykonos, na Grécia, e de St. Moritz, na Suíça. Voltou a São Paulo para abrir o UN, ao lado dos sócios Alex Terada e Luigi Cardoso, onde pratica uma cozinha precisa e autoral, em alguns casos com ingredientes pouco comuns à culinária nipônica.

03 olhete jalapenoÉ o caso do delicioso Hamachi Jalapeño (R$ 27), uma provocativa união de sashimi de olhete, jalapeños frescos e molho à base de shoyu e yuzu. Parece muito ardido, mas os jalapeños são banhados antes para suaviza-los, e o acento crítrico do molho equilibra tudo.

04atumA pimenta, aliás, está presente em vários itens do menu. Como nesse atum tataki (R$ 30) com ponzu e molho de jalapeños, aqui um pouco mais sutil do que no prato anterior, mas igualmente equilibrado.

05salmao tataki cópiaA versão de Shiraishi para o salmão tataki (R$ 28) ganha molho de su missô com karashi (mostarda japonesa). Não se assuste: a combinação é delicada e chega a ser aveludada.

06cevicheA experiência na Grécia também aparece em alguns itens do cardápio, como esse refrescante ceviche de peixe branco (R$ 38) com pepino, tomate cereja, cebola roxa, coentro e molho de shoyu com yuzu. Japão meets Mediterrâneo.

07saladaAté as saladas têm um apelo mais marcante no UN, como essa spicy tuna (R$ 39) com molho picante e texturas bem construídas. Ah, não estranhe o tamanho na foto: todas essas porções que fotografei são de degustação servida no soft opening. O serviço do salão é a la carte, mas em breve abrirá o primeiro andar, onde será servido apenas menu-degustação.

08quinuaDa cozinha saem sugestões interessantes, como o donburi de barriga de porco, missô de nozes e batata doce (R$ 48) e o “risoto” de cogumelos e legumes (R$ 45, na foto) feito com quinua no lugar do arroz (há também a versão com frutos do mar, por R$ 59).

09trio chouxE quem disse que restaurante japonês não tem sobremesa boa? (sempre faço essa perguntinha batida quando quero falar bem de um doce, né?) O chef Shiraishi também discorda dessa lenda e pra isso trouxe um especialista em sobremesas, o chef Felipe Tadao, para cuidar dessa seção. E não é que ele me manda uma das guloseimas que mais gostei quando fui ao Japão? Choux cream! Aliás, um trio de choux (R$ 20), recheados com creme, matchá com caramelo e doce de leite com nozes e açúcar mascavo. Fechou com chave de ouro.

10bartender2Ah, importante! Como praticamente só abre a noite, o UN ganhou um belo reforço na coquetelaria, que fica a cargo do barman Matheus Cunha (na foto, à frente). Em 2014, ele ganhou o campeonato Vive La Revolution, promovido pela vodca Grey Goose, com o drinque Comandante, receita que está presente na carta do UN.

11drinqueEu tomei outra criação de Cunha, o festivo land of fruits: cachaça, suco de abacaxi cozido, maracujá, óleo de laranja, angostura e xarope de amêndoas. Falando assim parece um exagero, mas o coquetel é gostoso, fresco e, por que não, divertido. Aliás, o UN não tem carta de vinhos. E pra que, com tantos ótimos saquês servidos ali? Kampai!

UN – R. Padre João Manuel, 1050, Jardins, tel. (11) 3060-9513, www.un-restanrante.com

 

Mole que é gostoso!

bibimbapQuer coisa mais gostosa do que aquela gema de ovo molinha, escorrendo pelo pão e deixando um rastro amarelo-dourado pelo caminho? Bem, eu adoro e fico feliz que vários restaurantes de São Paulo estejam combinando a gema mole (e até crua) em receitas variadas. Vamos conhecer 6 melhores exemplos dessas maravilhas em SP?
1. A casa é japonesa, mas uma das estrelas do almoço é coreana: trata-se do ishiyaki bibimbap do Bueno (Al. Santos, 835, Jardins, tel. 11-2386-8035), que leva legumes variados (cenoura, abobrinha, broto de samambaia) e carne desfiada, com arroz e molho de pimenta. A receita chega à mesa em um bowl de pedra fervente, com o ovo cru, boiando lindo na pimenta vermelho-escura, cremosa e provocativa (você pode escolher o nível de picância; sugiro começar pelo médio). O próprio garçom mistura tudo pra você – o calor cozinha automaticamente o ovo. Pegue um pouco numa cumbuca e deixe o arroz ali no bowl, criando uma casquinha deliciosa. Ah, tem a versão vegetariana.

 

carbonara2. Muitos consideram o espaguete à carbonara do Tappo (Rua da Consolação, 2967, Jardins, tel. 11-3063-4864) o melhor de São Paulo. Sou um deles. A massa al dente chega à mesa fumegante, envolvida pela mistura perfeita e aveludada de ovos, queijo percorno e cubos de pancetta, com pimenta salpicada. Por cima de tudo, reina uma gema crua inteira, para você mesmo misturar à massa (ela cozinha no calor da pasta) e finalizar esse clássico.

 

pao de queijo3. Já nasceu clássico  o incrível pão de queijo recheado com pernil e ovo, da chef Talitha Barros, no seu delicioso (e despretensioso) Conceição Discos (R. Imaculada Conceição, 151, Santa Cecília, tel. 11-3477-4642). O item pode servir como entrada ou como lanche mesmo. O pão de queijo gordinho, com massa elástica, é bem recheado com o pernil suíno desfiado (de tempero marcante) – por cima de tudo, um ovo frito com a gema mole. Morda, deixe escorrer e morra de felicidade.

 

sushi ovas4. Parece uma pequena jóia, mas é uma das etapas do menu degustação de 12 sushis de um dos melhores japoneses da cidade, o Kan. Via de regra, o chef Keisuke Egashira capricha tanto no sabor quanto no visual de seus pratos – mas nesse ele se supera: no fundo de um pequeno bowl dourado e brilhante, repousa um sushi de ikura (ovas de salmão), sobre uma gema de ovo. Praticamente um bordado cuidadoso de sabores e texturas no pequeno balcão do Egashira.

 

arroz moela5. Taí uma receita de respeito: arroz de moela a cavalo, do restaurante Bravin (R. Mato Grosso, 154, Higienópolis, tel. 11-2659-2525). Moela? Sim, moela, macia deliciosa, intensa, misturada ao arroz cremoso, com molho de tomate e, por cima, o ovão frito com a gema molinha. Grande pedida para o almoço (inclusive no ótimo executivo do restaurante) e jantar, e só melhora se acompanhado de um vinho sugerido pela super sommelière (e dona da casa), Daniela Bravin.

 

shot ostra6. É um aperitivo? É uma sobremesa? É um dry martini extre dirty? Nada disso: é o Oister Shot, entrada pra lá de energética proposta pelo chef Tsuyoshi Murakami no Kinoshita (R. Jaques Félix, 405. V. Nova Conceição, tel. 11-3846-7327). A transparência da taça revela a delicada montagem elaborada por Mura: uma ostra banhando-se em molho ponzu (shoyu, saquê e limão), acompanhada de ovas de salmão, pequenas rodelas de quiabo e, arrematando a potente mistura, uma gema crua de ovo de codorna. Sim, o shot é poderoso. Um breve momento que deixa um rastro de vigor e sabor. Arigatô, chef.

Vamos almoçar melhor? O menu executivo do premiado Kan

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No pequeno balcão do Kan, uma fileira de tirashis para uma das mesas, com o chef Keisuke Egashira ao fundo

Não é fácil comer no Kan. Desde que ganhou o título de melhor japonês de São Paulo pela Veja SP, o pequeno restaurante numa galeria na Brigadeiro Luís Antônio vive cheio e precisa de muita paciência para fazer uma reserva – sem isso, nem adianta tentar. Porém, como fica muito perto do meu trabalho (exatos quatro quarteirões), resolvi arriscar e passei lá na hora do almoço, assim como quem não quer nada. Dei sorte e comi no estreito balcão do andar de baixo (em cima ficam as mesas).

Já voltei lá três vezes, sempre no balcão e com reserva – no almoço é mais fácil conseguir uma vaga. O local me lembra muito as casas de sushi de Tóquio, pela simplicidade, pela qualidade dos peixes e pela execução primorosa do chef Keisuke Egashira. O chef é um japonês com ar afável, que mal fala português e fica muito na dele atrás do balcão na dele, trabalhando incessantemente na produção dos pratos.

sashimis

Prato de sashimis de fatias generosas e tamago

O Kan não é um local barato; uma degustação no jantar custa cerca de R$ 250. Mas no almoço, oferece um menu executivo camarada, por R$ 45. São três opções: sushis, sashimis com gohan ou tirashi. Todo com uma gostosa fatia de tamago (bloco de omelete adocicada e bem fofinha). Outro toque do chef Egashira muda tudo: ele prepara o arroz (gohan) com vinagre preto, que deixa as iguarias ainda mais saborosas.

 

misso

Missoshiru com vôngoles: poderoso e delicado ao mesmo tempo

Todas opções do executivo incluem um poderoso missoshiru com vôngoles, numa louça muito bonita. Não que isso mude o sabor do prato, mas é elegante e combina com a culinária meticulosa do chef.

 

chawanmushi

Vale a pena pedir o chawanmushi à parte.

O menu de almoço também traz alguns complementos para pedir à parte. Como esse chawanmushi (R$ 10), suflê de ovos com frango, cogumelo e camarão. Pedi e não me arrependi nem um pouco, estava ótimo.

 

ovas

Sushi de ovas de salmão com gema de ovo.

Na minha próxima visita, pretendo pedir o executivo especial de sushis (R$ 80), uma espécie de degustação com 20 bolinhos diferentes, com variações como garoupa, camarão no missô ou ovas de salmão com gema de ovo (na foto).

 

Porção de sushis no menu executivo.

Porção de sushis no menu executivo.

Na verdade, é muito fácil comer no Kan. Desde que você garanta sua vaga, claro.

 

Kan Rua Manoel da Nóbrega, 76, loja 12, Paraíso, tel. (11) 3266-3819

Sakamoto mantém a qualidade com preços mais baixos

 

Misto de sashimis de atim, salmão, robalo, serra e, olho na perfeição, vieiras.

Misto de sashimis de atim, salmão, robalo, serra e, pra im o mais perfeito de todos, vieiras gordinhas. Hmmmm…

Oi, blogueiro sumido! Depois de um pequeno susto com a saúde (que já está sendo resolvido), voltei com tudo (#medo). Ontem mesmo fui conhecer o Junji, nova casa do Jun Sakamoto, aberta em dezembro no Shopping Iguatemi. Com ambiente sóbrio, criado pelo arquiteto Otávio De Sanctis, com muita madeira, vidro e varanda, a nova casa surgiu com a intenção de ser uma versão mais acessível da cozinha de excelência de Sakamoto – cujo restaurante original, na Rua Lisboa, não é para todos os bolsos. Sem dúvida uma grande vantagem quando se leva em conta os ótimos ingredientes e a execução impecável dos pratos.

 

junji tartareO menu do Junji é enxuto, composto mesmo de várias opções de sushi e sashimi (incluindo mistos em dois tamanhos e preços, de R$ 60 a R$ 100), e alguns pescados menos óbvios (carapau, vieira, beijupirá, olho-de-boi etc). Há também opções de teishokus ( teppan de salmão ou rib-eye, garoupa cozida, tempurá, merluza marinada no missô) que variam de R$ 56 a R$ 95, e muitas entradas interessantes. Como o delicioso tartare de atum (R$ 22) acima, com ovas de capelim e gelatina de dashi-shuyu. Caso sério, viu? Quer saber mais? Leia abaixo.

 

junji ostrasOutra entrada gostosa e bem propícia a esse clima subsaariano que estamos vivendo em SP: ostras frescas com ovas gordinhas de salmão e molho ponzu (R$ 24, seis unidades)

 

junji ChawanmushiComfort food japa: Chawanmushi (R$ 21), um flan de ovos com frango e cogumelos japoneses, trufados no azeite.

 

IMG_9423Uma novidade de Sakamoto: para espalhar shoyu nos niguiris, sem encharcar o arroz, nem desmontar o sushi, o restaurante disponibiliza pequeno pinceis macios para espalhar o molho de soja apenas sobre o peixe, comme il faut.

 

junji sorveteSobremesas em geral não são o forte de casas japonesas, mas ontem me surpreendi (agradavelmente) com duas delas. A melhor foi o sorvete de maça verde com gelatina de saquê (R$ 18): a massa cremosa do sorvete tem a doçura e a acidez muito equilibradas, combinando bem com o toque de saquê e limpando totalmente o paladar após os peixes.

 

junji bruleeFechamos com creme brûlée de chá verde (R$ 17), uma releitura interessante, mas com menos força do que o sorvete acima. Mas vale provar, principalmente pela execução perfeita: o doce veio bem cremoso e coberto por uma camada firme e aquecida de açúcar maçaricado.

Ah, o Junji também tem algumas opções de saquê e drinques, que não provei porque ainda estou impedido de tomar álcool. Mas deixa eu voltar lá que vocês vão ver!

Junji – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, Shopping Iguatemi, piso térreo, Jardim Paulistano, tel. (11) 3813-0820

Kinoshita faz jantar com 7 pratos à base de vieiras

Ussuzukuri Kinoshita: lâminas de vieiras com molho ponzu

Ussuzukuri Kinoshita: lâminas de vieiras com molho ponzu, no Menu Vivo de amanhã

Você gosta de vieiras? Eu adoro. Se você é desses, anote essa: amanhã, dia 21 de maio, o restaurante Kinoshita promove um jantar com nada menos do que sete pratos com vieiras. Trata-se de um jantar da série Menus Vivos, em que o chef Tsuyoshi Murakami elege um ingrediente super fresco, direto do produtor, para ser a vedete do repasto. Amanhã as estrelas são as vieiras vivas de uma fazenda marinha de Picinguaba, Ubatuba (SP), que o chef visitou algumas vezes (veja o vídeo aqui).
O jantar começa às 20h, custa R$ 280 por pessoa e inclui todos os pratos do menu abaixo, mais vinhos da importadora Mistral e águas Acqua Panna e San Pellegrino. É bom reservar.

Menu Vivo: vieiras
Hotate Nassubi Spicy
– vieiras com berinjelas e tomate momotaro ao de molho de missô levemente picante.
Ussuzukuri Kinoshita – finas lâminas de vieiras com molho ponzu.
Sashimi Moriawas – variedades de Pescados com vieiras frescas.
Niguirizushi – variedades de sushis
Hotate truffles Yuzu – sashimi de vieiras com aspargos, perfume de yuzu e trufas brancas.
Sea Food Fry – vieira, camarão, polvo e peixe branco crocantes com molho tonkatsu caseiro.
Kakiague Don – arroz “koshihikari” com coral de vieiras.
Moti CocoNut – arroz de moti com coco branco.

Kinoshita – Rua Jacques Félix, 405, Vila Nova Conceição, tel. (11) 3849-6940, www.restaurantekinoshita.com.br

Achei o melhor doce de Tóquio aqui na Liberdade

choux japao

Minha nova melhor amiga em Tóquio: “Hai! Xu-curímu!”

“Vá atrás do choux cream. Se fala ‘xu-curímu’. Em qualquer metrô tem”. Essa foi a dica rápida e precisa do amigo Marcelo Yokoyama quando soube que eu estava em Tóquio, em outubro passado (aliás, ainda devo um longo post sobre essa viagem, uma das melhores da minha vida). Explico: choux cream é uma espécie de big profiterole recheado com um levíssimo creme pâstissière, um must no Japão, pelo que me disse meu amigo. La fui eu atrás do tal doce, mas não tinha em qualquer estação, não. Depois de dois dias de buscas infrutíferas, caminhava eu na estação de Akihabara (bairro famoso entre os fãs de games e mangás), dei de cara com um quiosque de doces e no mesmo instante soube que era … choux cream! Na hora exclamei “xu-curímo!” e as duas simpáticas japonesas do outro lado do balcão confirmaram veementemente com a cabeça “Hai! Xu-curímu! Xu-curímu!”.

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Choux cream do Espaço Kazu: prazer em revê-lo!

Custava 150 ienes (cerca de R$ 3,70 na época), então o balofo aqui já ia comprando dois, mas o bom senso falou alto e comprei um só. E saí comendo pelas ruas lotadas de japoneses com cabelos coloridos e japonesas vestidas como colegiais (outro must em Tóquio, pelo que notei). Na primeira mordida, parei e quase voltei ali pra comprar uma dúzia do tal choux-cream. Que maravilha! Massa elástica, fofinha, com uma casquinha levemente crocante, muito bem recheada com um dos cremes mais macios sedosos que já provei. E nada daquela coisa enjoativa e óbvia: a doçura do creme era discreta; presente, claro, mas sem alarde. Um sonho – digo, um choux cream, mas um verdadeiro deleite da confeitaria. Acabei desobrindo outros locais em Tóquio que serviam o doce e me esbaldei.

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Msssa gostosa, creme perfeito e ainda por cima amêndoas!

De volta ao Brasil, trouxe várias saudades dos dez dias em que fiquei no Japão, entre elas o sabor daquela guloseima. Andando na Liberdade outro dia, com alguns amigos, após um almoço poderoso no Yamaga (já falei dele aqui), fomos tomar café no andar superior do Espaço Kazu. Quando olhei na vitrine de doces, quase parti com tudo pra cima do balcão: ali estavam enfileiradas dezenas de choux cream. Um pouquinho menores que os de Tóquio, mas não restava dúvida: eram eles! Pedi o tradicional (R$ 3,90), junto com um café. Na hora de comer, fique com medo da decepção. Bobo eu: o choux cream do Espaço Kazu é ótimo, quase tão bom quanto os do Japão. Bem feitinhos, com massa gostosa, creme macio e pouco doce, tudo na medida correta. Já voltei lá para provar a versão com amêndoas (R$ 3,90) e é ainda mais gostosa que a outra. Ah, e você ainda pode levar para casa – eles vendem até em caixa com 12 unidades, por R$ 39, se não me engano.

Não, nao comprei a caixa, pois quero perder uns quilos. Mas a tentação foi tão grande quanto o próprio Godzilla. Resisti, mas não sei até quando.

 
Espaço Kazu – Rua Thomas Gonzaga, 84/90, Liberdade, tel. (11) 3208-6177, www.espacokazu.com.br

Minato: o pequeno balcão com grandes surpresas

Oniguiri com porco: bonito e gostoso

Oniguiri com porco: linda apresentação e muito gostoso

Sábado do feriadão resolvi tirar um dos meus atrasos gastronômicos e, ao mesmo tempo, matar um pouquinho a saudade da minha viagem ao Japão, em outubro. (Sim, os post sobre ela estão quase prontos, aguardem!). Fui ao Minato Izakaya, pequena casa aberta em maio em Pinheiros pelos chefs Sergio Kubo (ex-Hideki) e Fabio Koyama (ex-Aoyama) e muito recomendada por amigos fãs da culinária japonesa. O esquema é mesmo de um izakaya (bar de petiscos, saquê e sochu): dois balcões paralelos, somando 20 lugares, e várias porções para compartilhar e acompanhar saques e sochus – além da sugestão de prato do dia. Acabei me divertindo muito, comendo bem e descobrindo um novo (pequeno) canto pra comer bem em São Paulo. Vem comigo que te mostro mais. Continuar lendo

A Festa de Babete, Japan Edition

Pequena obra de arte: sushi  de pargo, umeboshi e pesto de shissô

Mini obra de arte: sushi de pargo, umeboshi e pesto de shissô

Fui ao Momotaro apenas uma vez, um pouco depois que abriu (e você pode ler aqui), em 2012. Já conhecia o trabalho do chef Adriano Kanashiro e fiquei feliz em perceber que, com o tempo, sua criatividade nas receitas e precisão na execução não só estavam presentes na nova casa, mas ainda mais apuradas. Assim, fiquei ansioso em conhecer sua nova empreitada: a sala de degustação no andar superior do Momotaro, onde os (poucos) convivas se refastelam com um jantar incrível, feito na sua frente pelo próprio Kanashiro. A sala, de decoração elegante e iluminação discreta, tem apenas 18 lugares (seis no balcão) e só é possível degustar esse menu mediante reserva, de terça a sexta. Só digo uma coisa: é um banquete japonês.
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