UN, um ótimo destino para os fãs de comida japonesa

O ótimo sushi de vermelho, com limão cravo, criação do chef Tadashi Shiraishi no novo UN

O ótimo sushi de vermelho, com limão cravo, criação do chef Tadashi Shiraishi no novo UN

Dica boa pra esse feriadão: depois uma longa temporada fora do Brasil, o chef Tadashi Shiraishi voltou ao país e abriu na última terça uma nova casa, o UN (prefixo de unmei, que significa destino em japonês). Aliás, um belíssimo restaurante, com projeto moderno, quase brutalista, com iluminação baixa, equilibrado pela madeira e pelo pé de bambu no meio do salão. O ambiente combina muito com a noite e, com efeito, a casa só abre para o jantar, de segunda a sábado – este o único dia da semana em que o UN serve almoço.

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O chef Tadashi Shiraishi finaliza o salmão tataki no balcão.

Bem, o que importa mesmo é a comida que sai da cozinha e do balcão (este bem iluminado), e aí o UN diz realmente a que veio. Depois de trabalhar com grandes nomes da cozinha japonesa em São Paulo, como Tsuyosi Murakami (do Kinoshita), o chef Shiraishi passou três anos como sushi chef do Nobu (do renomado chef Nobu Matsuhisa) de Mykonos, na Grécia, e de St. Moritz, na Suíça. Voltou a São Paulo para abrir o UN, ao lado dos sócios Alex Terada e Luigi Cardoso, onde pratica uma cozinha precisa e autoral, em alguns casos com ingredientes pouco comuns à culinária nipônica.

03 olhete jalapenoÉ o caso do delicioso Hamachi Jalapeño (R$ 27), uma provocativa união de sashimi de olhete, jalapeños frescos e molho à base de shoyu e yuzu. Parece muito ardido, mas os jalapeños são banhados antes para suaviza-los, e o acento crítrico do molho equilibra tudo.

04atumA pimenta, aliás, está presente em vários itens do menu. Como nesse atum tataki (R$ 30) com ponzu e molho de jalapeños, aqui um pouco mais sutil do que no prato anterior, mas igualmente equilibrado.

05salmao tataki cópiaA versão de Shiraishi para o salmão tataki (R$ 28) ganha molho de su missô com karashi (mostarda japonesa). Não se assuste: a combinação é delicada e chega a ser aveludada.

06cevicheA experiência na Grécia também aparece em alguns itens do cardápio, como esse refrescante ceviche de peixe branco (R$ 38) com pepino, tomate cereja, cebola roxa, coentro e molho de shoyu com yuzu. Japão meets Mediterrâneo.

07saladaAté as saladas têm um apelo mais marcante no UN, como essa spicy tuna (R$ 39) com molho picante e texturas bem construídas. Ah, não estranhe o tamanho na foto: todas essas porções que fotografei são de degustação servida no soft opening. O serviço do salão é a la carte, mas em breve abrirá o primeiro andar, onde será servido apenas menu-degustação.

08quinuaDa cozinha saem sugestões interessantes, como o donburi de barriga de porco, missô de nozes e batata doce (R$ 48) e o “risoto” de cogumelos e legumes (R$ 45, na foto) feito com quinua no lugar do arroz (há também a versão com frutos do mar, por R$ 59).

09trio chouxE quem disse que restaurante japonês não tem sobremesa boa? (sempre faço essa perguntinha batida quando quero falar bem de um doce, né?) O chef Shiraishi também discorda dessa lenda e pra isso trouxe um especialista em sobremesas, o chef Felipe Tadao, para cuidar dessa seção. E não é que ele me manda uma das guloseimas que mais gostei quando fui ao Japão? Choux cream! Aliás, um trio de choux (R$ 20), recheados com creme, matchá com caramelo e doce de leite com nozes e açúcar mascavo. Fechou com chave de ouro.

10bartender2Ah, importante! Como praticamente só abre a noite, o UN ganhou um belo reforço na coquetelaria, que fica a cargo do barman Matheus Cunha (na foto, à frente). Em 2014, ele ganhou o campeonato Vive La Revolution, promovido pela vodca Grey Goose, com o drinque Comandante, receita que está presente na carta do UN.

11drinqueEu tomei outra criação de Cunha, o festivo land of fruits: cachaça, suco de abacaxi cozido, maracujá, óleo de laranja, angostura e xarope de amêndoas. Falando assim parece um exagero, mas o coquetel é gostoso, fresco e, por que não, divertido. Aliás, o UN não tem carta de vinhos. E pra que, com tantos ótimos saquês servidos ali? Kampai!

UN – R. Padre João Manuel, 1050, Jardins, tel. (11) 3060-9513, www.un-restanrante.com

 

Batalha do choux cream! Quem chegou mais perto de Tóquio?

Vitrine da Sweet Deli: mais choux crema pra gente babar

Vitrine da Sweet Deli: mais choux crema pra gente babar

Outro dia contei aqui sobre o choux cream, o doce que conheci (e me apaixonei) no Japão e que acabei encontrando aqui em SP, no Espaço Kazu, no bairro da Liberdade. O post fez muito sucesso (obrigadim!) e duas pessoas me sugeriram outro lugar que vende o “xu-curímu”: a doceria Sweet Deli, nos Jardins. Hoje passei lá e provei a guloseima. Quero saber de mais lugares que produzem essa maravilha, ok? Por enquanto, vamos ver quem ganhou a o primeiro round da Batalha do Choux Cream?

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O concorrente da Liberdade, Espaço Kazu

Preço
Na Sweet Deli a unidade custa R$ 4,50; no Kazu, R$ 3,90 (e a caixa com 12 sai R$ 39). Ponto pra Liberdade.

Tamanho
O da Sweet Deli é um pouco maior. Comi e fiquei mais do que satisfeito. No Kazu é um pouco menor do que o que comi em Tóquio. Jardins 1 x 1 Liberdade

Variedade
Na Sweet Deli só há o xu-curímu tradicional. No Kazu, tem o tradicional e com amêndoas – pelo mesmo preço. Kazu + 1.

Massa choux
Ambos são bem gostosos. A massa do doce da Sweet Deli é um pouco menos elástica do que o do Espaço Kazu – o que é uma desvantagem, pois no Japão a massa é mais macia e fofinha. Liberdade: mais um ponto.

O desafiante: choux cream da Sweet Deli

O desafiante: choux cream da Sweet Deli

Recheio de creme pâtissière
Ambos são bem recheados e muito cremosos. O da Sweet Deli carrega um pouco mais no açúcar; do Espaço Kazu a doçura é mais leve. Aí é uma questão de gosto pessoal, mas como sou eu que estou julgando, e como valorizo a sutileza, ponto pro Kazu.

 “Japonidade”
Como conheci o choux cream em Tóquio, acabo buscando um que seja mais próximo do doce de lá. Nesse quesito, os dois chegam muito perto (o da Sweet Deli devia ser menos doce; o do Espaço Kazu devia ser um pouco maior). Então nesse item deu empate.

Resultado:
Por 5 x 2 ganhou o choux cream do Espaço Kazu. Contudo, se eu fosse você experimentaria também o da Sweet Deli, pois vale a pena e satisfaz por completo a vontade de comer um doce. Nesse tipo de batalha, todo mundo sai ganhando!

Sweet Deli – Galeria 2001, Av. Paulista, 2001, Loja 4, Jardins, tel. 3287-9760, www.facebook.com/sweet.deli.paulista

Espaço Kazu – Rua Thomas Gonzaga, 84/90, Liberdade, tel. (11) 3208-6177, www.espacokazu.com.br

Achei o melhor doce de Tóquio aqui na Liberdade

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Minha nova melhor amiga em Tóquio: “Hai! Xu-curímu!”

“Vá atrás do choux cream. Se fala ‘xu-curímu’. Em qualquer metrô tem”. Essa foi a dica rápida e precisa do amigo Marcelo Yokoyama quando soube que eu estava em Tóquio, em outubro passado (aliás, ainda devo um longo post sobre essa viagem, uma das melhores da minha vida). Explico: choux cream é uma espécie de big profiterole recheado com um levíssimo creme pâstissière, um must no Japão, pelo que me disse meu amigo. La fui eu atrás do tal doce, mas não tinha em qualquer estação, não. Depois de dois dias de buscas infrutíferas, caminhava eu na estação de Akihabara (bairro famoso entre os fãs de games e mangás), dei de cara com um quiosque de doces e no mesmo instante soube que era … choux cream! Na hora exclamei “xu-curímo!” e as duas simpáticas japonesas do outro lado do balcão confirmaram veementemente com a cabeça “Hai! Xu-curímu! Xu-curímu!”.

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Choux cream do Espaço Kazu: prazer em revê-lo!

Custava 150 ienes (cerca de R$ 3,70 na época), então o balofo aqui já ia comprando dois, mas o bom senso falou alto e comprei um só. E saí comendo pelas ruas lotadas de japoneses com cabelos coloridos e japonesas vestidas como colegiais (outro must em Tóquio, pelo que notei). Na primeira mordida, parei e quase voltei ali pra comprar uma dúzia do tal choux-cream. Que maravilha! Massa elástica, fofinha, com uma casquinha levemente crocante, muito bem recheada com um dos cremes mais macios sedosos que já provei. E nada daquela coisa enjoativa e óbvia: a doçura do creme era discreta; presente, claro, mas sem alarde. Um sonho – digo, um choux cream, mas um verdadeiro deleite da confeitaria. Acabei desobrindo outros locais em Tóquio que serviam o doce e me esbaldei.

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Msssa gostosa, creme perfeito e ainda por cima amêndoas!

De volta ao Brasil, trouxe várias saudades dos dez dias em que fiquei no Japão, entre elas o sabor daquela guloseima. Andando na Liberdade outro dia, com alguns amigos, após um almoço poderoso no Yamaga (já falei dele aqui), fomos tomar café no andar superior do Espaço Kazu. Quando olhei na vitrine de doces, quase parti com tudo pra cima do balcão: ali estavam enfileiradas dezenas de choux cream. Um pouquinho menores que os de Tóquio, mas não restava dúvida: eram eles! Pedi o tradicional (R$ 3,90), junto com um café. Na hora de comer, fique com medo da decepção. Bobo eu: o choux cream do Espaço Kazu é ótimo, quase tão bom quanto os do Japão. Bem feitinhos, com massa gostosa, creme macio e pouco doce, tudo na medida correta. Já voltei lá para provar a versão com amêndoas (R$ 3,90) e é ainda mais gostosa que a outra. Ah, e você ainda pode levar para casa – eles vendem até em caixa com 12 unidades, por R$ 39, se não me engano.

Não, nao comprei a caixa, pois quero perder uns quilos. Mas a tentação foi tão grande quanto o próprio Godzilla. Resisti, mas não sei até quando.

 
Espaço Kazu – Rua Thomas Gonzaga, 84/90, Liberdade, tel. (11) 3208-6177, www.espacokazu.com.br