Novo Tanit: ótima comida, bons drinques e clima mediterrâneo

Croquetas de jamón ibérico (R$ 28), do novo Tanit: peça junto com um Clericot, sente-se na varanda e sinta-se em Ibiza ou Barcelona.

Croquetas de jamón ibérico (R$ 28), do novo Tanit: peça junto com um Clericot, sente-se na varanda e sinta-se em Ibiza ou Barcelona.

Tanit é o nome de uma deusa fenícia, venerada em Cartago e no Mediterrâneo Ocidental por volta do século V. Maior divindade da região, Tanit era associada à fertilidade, inclusive da terra – era ela que os agricultores fenícios invocavam em épocas de seca, pedindo por chuva. Cerca de 2.500 anos depois, parece que o nome continua a invocar prosperidade. Ao menos foi essa a impressão que tive ao visitar o Tanit, novo restaurante de culinária mediterrânea aberto no ínicio da Oscar Freire. Funcionando apenas há duas semanas, o casa já registra filas de espera, principalmente no jantar, e só se ouvem elogios ao restaurante, principalmente à cozinha mediterrânea com forte pegada catalã do chef espanhol Oscar Bosch.

Negroni Jerez: quem diria que eu me apaixonaria asssim?

Negroni Jerez: quem diria que eu me apaixonaria asssim?

Uma das grandes vocações do novo restaurante são as tapas e petiscos, principalmente se consumidos com os bons drinques executados pelo barman Caique Soares – esse moço criou um negroni Jerez (R$ 27) tão bom que até me fez esquecer um pouco da fase dry martini que estou atravessando e da minha habitual ranzinzice com “inovações” da clássica receita do drinque. Mas aqui ele acertou muito: sai o vermute rosso, entra o bianco, e o gim divide o protagonismo com o aromático e avermelhado jerez. Já tomei quatro em dois dias (foi tipo Heleninha Roitmann – The Catalan Tour).

bunuelosVoltando às entradas e tapas, invista sem dó nas frituras sequinhas, pois são pequenos bocados de alegria. Como esses buñuelos (R$ 30), que parecem bolinhos de chuva mas são feitos com bacalhau, agradáveis na mordida e com sabor equilibrado, companhados de alioli cítrico.

bravasOutro clássico espanhol, as batatas bravas (R$ 24) ganham aqui versão crocante, com molho de tomate caseiro e ragu de chorizo. Dica feel good: sente-se na varanda, peça essas tapas com uma jarra de clericot (R$ 72, com espumante à maçã verde, uva verde, gengibre e cachaça) e sinta-se em Barcelona. Ou Ibiza.

tartare tutanoEntre os pratos, há uma opção para compartilhar (ou comer inteira, como prato principal) que me encantou tanto pelo sabor quanto pela apresentação. Trata-se do steak tartare (R$ 47), que vem por cima de um… tutano assado! Sim, um grande osso com tutano assado (e ainda quente) é a base para a carne cortada e bem temperada, guarnecida com cubos crocantes de batata. Tudo sobre uma base rústica de madeira.

fideuaNa seção de arrozes e massas, chamam atenção o suculento fideuá de lulinhas grelhadas (R$ 56, na foto), feita no caldo de camarão e servida com maionese de alho, e um belo arroz negro com polvo grelhado, tinta de lula e alioli (R$ 60)

polvoE por falar em polvo, ainda ressoa na minha boca o sabor do polvo grelhado com panceta ibérica, salsa holandesa e batatas rústicas (R$ 65). O molusco de carne tenra e pele levemente crocante repousa no prato sobre uma generosa fatia crocante e suculenta de barriga de porco, rodeado pelas batatas e finalizado com o molho aveludado. Se eu soubesse falar fenício, faria uma prece de gratidão para Tanit!

porcoUma boa opção pra quem não é chegado em frutos do mar é o leitãozinho crocante cozido em baixa temperatura, cenourinhas, chutney de repolho roxo e maçã (R$ 62). Parece pesado, mas é na verdade bem gostoso na boca e confortável no estômago.

torta santiagoPara finalizar, fui muito feliz com a torta de Santiago (R$ 22, na foto), uma disco macio de massa de amêndoas, com creme inglês e sorvete de nata, obra da  patissière brasileira Bia Bosch (sim, ela é esposa do chef!). Ainda fiquei de provar os churros e a pera cozida em baixa temperatura, mousse de iogurte, crumble de macadâmia e sorbet de pêra (R$ 19). Ficou para uma próxima visita ao novo templo descontraído da deusa fenícia.

Tanit – Rua Oscar Freire, 145, Jardins, tel. (11) 3062-6385.

 

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Meu Dia das Mães no restaurante do Jamie Oliver em São Paulo

Cogumelos assados: a melhor entrada do restaurante

Cogumelos assados: a melhor entrada da casa, mesmo com essa “árvore de Natal” de tomilho

Eu sei, parece loucura ir a um dos restaurantes com maior fila de espera da cidade justamente no Dia das Mães. Mas a reserva havia sido feita há mais de um mês, então lá fomos eu e minha mãe encontrar a vó japonesa e outros amigos queridos no Jamie’s Italian, a primeira casa do Jamie Oliver no Brasil. Sim, havia uma fila imensa, mas, pra meu alívio, sentamos 14h07 (a reserva feita online era para às 14h). Aliás, o serviço da casa é muito correto e bem treinado. Isso dito, vamos à comida. Os preços são irregulares – bons para as massas, caros para as entradas. Uma porção de arancini, por exemplo, com três bolinhos de arroz com tomate e mussarela, sai R$ 28 (quase R$ 10 por bolinho). E nem é nada demais. Se você fizer questão de pedir entrada, fique com os cogumelos assados (R$ 38), uma porção bem temperada, que chega à mesa num prato forrado com pão fino e crocante, mussarela de búfula derretida e tomilho (quase uma árvore de Natal em cima do prato, devo dizer).

 

abobrinhaOutra boa pedida são as abobrinhas empanadas e fritas (R$ 22, à direita), com maionese cítrica (com toques de limão siciliano) e picles com especiarias. Fuja, porém, da lula frita (R$ 24, à esquerda), mais borrachuda que os pneus carecas do meu carro.

 

lasanhaEntre os pratos, fui no óbvio e pedi a lasanha ao forno (R$ 49, na foto acima). A massa chega bem recheada de ragu de carne bovina e suína, muito queijo, abóbora assada e vinho tinto. Confesso que não senti muito a abóbora, mas o sabor da lasanha estava bom e a porção é bem generosa. Um amigo pediu o pappardelle com ragu de porco free range, erva doce e vinho tinto (R$ 39) e também estava gostoso. Dei uma olhada no menu e achei o hambúrguer caro (R$ 46), o salmão ao forno razoável (R$ 45) e a berinjela à parmegiana (R$ 39) curiosa: o legume é grelhado, em vez de empanado e frito. Mas não provei nenhum dos três, então não posso falar do sabor.

 

fachadaNão comemos sobremesa, apenas bebemos vinho e alguns drinques, um mojito estranho, finalizado com espumante, e um negroni mediano, cheio de gelo quase picado, uma ofensa à bebida. Aliás, falta bom senso térmico no restaurante do Jamie Oliver: as águas vieram quase quentes e o vinho (um cabernet argentino), quase morno. A conta: R$ 108 por pessoa. Achei ruim? Não especificamente: se eu voltasse, pediria uma massa, uma taça de vinho e sairia satisfeito. Porém, pelo trabalho que dá pra reservar e pelo hype envolvido na operação, prefiro ir a um italiano médio qualquer, sem persona televisiva por trás do nome, e pagar o mesmo tanto, provavelmente com melhores resultados.

Ah sim, minha mãe gostou – mas achou o mesmo que o filho: muito barulho por pouco.

Jamie’s Italian – Av. Horácio Lafer, 61, Itaim Bibi, tel. (11) 2365-1309, www.jamieoliver.com